A proposta de redução da maioridade penal, que tramita no Congresso Nacional, avança após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. A medida, que visa diminuir a idade de 18 para 16 anos para fins de responsabilização penal, ainda tem um longo percurso até se tornar lei.
A votação na CCJ registrou 44 votos favoráveis e 18 contrários, indicando um debate acirrado sobre o tema. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2015, apresentada originalmente em 2015, busca alterar um dos pilares do sistema jurídico brasileiro.
Apesar da aprovação na comissão, o projeto não segue imediatamente para o plenário da Câmara. O próximo passo é a formação de uma Comissão Especial temporária, que analisará detalhadamente o mérito da proposta, podendo realizar audiências públicas e propor modificações.
Se aprovada pela Comissão Especial, a PEC precisará de apoio expressivo no Plenário da Câmara, com no mínimo três quintos dos votos (308 de 513 deputados) em dois turnos. Caso obtida a aprovação, a matéria será encaminhada ao Senado Federal, onde passará por um processo semelhante de análise e votação.
Histórico e Mudanças no Texto Original
A PEC 32/2015, que visava estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”, teve diferentes relatores ao longo de seus 11 anos de tramitação e chegou a ser arquivada em 2019. O debate foi intensificado nos últimos meses, com o relator atual, deputado Coronel Assis, apresentando um parecer favorável à admissibilidade jurídica.
É importante notar que o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais. Portanto, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens de 16 e 17 anos não são afetados. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuam facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos.
Argumentos a Favor e Contra a Redução da Maioridade Penal
Deputados favoráveis à medida argumentam que a redução da maioridade penal atende a demandas sociais por **segurança pública** e maior **responsabilização penal** para adolescentes que cometem crimes graves. Eles defendem que a proposta pode contribuir para a diminuição da criminalidade juvenil.
Por outro lado, parlamentares contrários à redução sustentam que a proposta viola **direitos fundamentais** previstos na Constituição. Eles argumentam que a solução para a questão da criminalidade juvenil passa pelo investimento em **políticas públicas educacionais** e pela melhoria do sistema de ressocialização, em vez de uma punição mais severa.
Próximos Passos da Proposta
A aprovação na CCJ representa um avanço significativo para a PEC, mas o caminho ainda é árduo. A formação da Comissão Especial e as subsequentes votações no Plenário da Câmara e no Senado são etapas cruciais que definirão o futuro da proposta.
A discussão sobre a maioridade penal envolve dilemas complexos entre segurança pública, direitos humanos e o papel do Estado na proteção e educação de jovens. A sociedade aguarda os desdobramentos desse debate no Congresso Nacional.





