Estudo de Haifeng Huang da Universidade Estadual de Ohio questiona a eficácia da diplomacia pública americana na China, apontando para falhas estratégicas que subestimam a resiliência da identidade nacional chinesa e a percepção pública sobre o país.
A comunicação da embaixada dos Estados Unidos na China, veiculada em plataformas como Weibo e WeChat, tem se mostrado menos eficaz do que o esperado em influenciar a opinião pública chinesa. Pesquisas conduzidas por Haifeng Huang, da Universidade Estadual de Ohio, indicam que mensagens sobre eleições e liberdade de imprensa não alteraram significativamente a percepção dos chineses sobre os EUA, mesmo em momentos de crise reputacional americana.
Os experimentos realizados em 2018 e 2021 revelaram um padrão intrigante: em tempos de calmaria, a propaganda democrática americana não gerou impacto positivo. No entanto, em 2021, após eventos como a pandemia e a invasão do Capitólio, as mesmas mensagens apresentaram um efeito, ainda que limitado, de preservar a credibilidade restante dos EUA, atuando mais como um escudo do que como uma espada para conquistar corações e mentes.
A conclusão mais contundente do estudo é que a propaganda americana não conseguiu modificar a visão dos chineses sobre sua própria democracia, sobre o regime de Pequim ou sobre a disposição para protestos. Isso sugere que, em um país com alta confiança no governo e uma forte identidade nacional, os valores democráticos ocidentais encontram uma barreira significativa, conforme divulgado pela Folha de S.Paulo com base na pesquisa.
O “Escudo” Americano e Suas Limitações
Huang descreve a diplomacia pública americana como um “escudo”, que serve para preservar a credibilidade em momentos de ataque reputacional, mas que tem pouca capacidade de conversão em tempos normais. A desconfiança não parece ser direcionada ao mensageiro, mas sim à própria dificuldade de impressionar uma nação orgulhosa e em ascensão, independentemente de a mensagem vir assinada pela embaixada ou por uma fonte anônima.
Desmonte Estratégico e Ironia Histórica
A pesquisa também lança luz sobre a ironia da situação atual, onde o governo dos EUA tem desmantelado estruturas de comunicação internacional, como a Voz da América, e fechado missões diplomáticas. Essa ação ocorre em um momento crítico, quando a imagem do país está novamente abalada, enfraquecendo justamente o “escudo” que poderia mitigar danos reputacionais.
Competição por Influência e o “Modelo China”
A disputa por influência global entre Washington e Pequim não está sendo decidida por sermões ideológicos. Pesquisas recentes indicam que a mensagem chinesa sobre o “modelo China” tem convencido mais audiências globais do que o discurso americano sobre seu próprio sistema democrático. O pragmatismo de países como o Brasil, que valorizam parcerias concretas em detrimento de lições ideológicas, reflete essa tendência.
Um Aviso para Washington
Haifeng Huang finaliza com um alerta crucial para os estrategistas americanos: o “escudo” da diplomacia pública só é eficaz se houver uma democracia robusta por trás dele e um aparato capaz de transmitir a mensagem de forma consistente. Os EUA parecem estar enfraquecendo ambos, um movimento que pode ter consequências significativas na arena internacional.





