Peruanos no Brasil votam em massa por Keiko Fujimori em eleição presidencial acirrada no país vizinho
A comunidade peruana no Brasil demonstrou sua preferência nas eleições presidenciais de seu país natal. Com a apuração avançada, os votos registrados em solo brasileiro indicam uma vitória clara para Keiko Fujimori sobre seu oponente, Roberto Sánchez.
Enquanto o Peru acompanha angustiado uma disputa eleitoral extremamente apertada, com poucos milhares de votos separando os candidatos, a situação nos consulados brasileiros apresentou um cenário distinto. Mais de 2% das urnas ainda aguardam contagem no Brasil, mas Keiko já consolida sua liderança entre os peruanos residentes aqui.
Esta tendência observada no Brasil reflete um padrão semelhante em outros países onde peruanos residem, consolidando o voto no exterior como uma base de apoio importante para a candidata. A apuração geral no Peru, no entanto, continua em suspense, com ambos os lados questionando procedimentos e buscando garantir a validade de cada voto. Conforme informações divulgadas nesta sexta-feira (12), Keiko Fujimori obteve 55,7% dos votos no Brasil, contra 44,31% de Sánchez.
Keiko Fujimori lidera entre peruanos no Brasil com 55,7% dos votos
Com mais de 98% das urnas apuradas nos consulados peruanos no Brasil, Keiko Fujimori garantiu 2.769 votos, enquanto Roberto Sánchez obteve 2.203. A candidata da direita populista venceu em diversas cidades, perdendo apenas em Fortaleza e Porto Alegre, onde a votação foi minoritária. Goiânia registrou a maior porcentagem de votos para Keiko, com 74%, mas com um número reduzido de eleitores.
São Paulo, o maior colégio eleitoral peruano no Brasil, também deu vitória a Keiko, com 50,8% dos votos. A tendência no Brasil acompanha a votação geral no exterior, onde Keiko Fujimori já havia conquistado 63,4% dos votos com 94,6% das urnas apuradas. Este resultado no exterior se assemelha ao pleito de 2021, quando ela também teve forte apoio de peruanos fora do país.
Disputa acirrada no Peru gera tensão e pedidos de recontagem
A apuração geral no Peru segue em ritmo lento, com uma diferença mínima de pouco mais de 1.500 votos entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. A contagem em algumas zonas rurais, consideradas reduto de Sánchez, e os votos do exterior ainda podem influenciar o resultado final, mantendo o país em estado de alerta.
A tensão aumentou quando Sánchez passou a liderar a apuração na segunda-feira (8), após estar atrás de Keiko inicialmente. No entanto, a chegada de votos do exterior fez a candidata retomar a dianteira na madrugada de quinta-feira (11). Sánchez tem expressado preocupações com o processo, pedindo uma “revisão e recontagem minuciosa dos votos” para garantir a transparência.
Em contrapartida, a equipe de Keiko Fujimori rejeitou a sugestão de Sánchez, afirmando que a lei eleitoral é clara e que as instituições devem ser respeitadas. Keiko pediu que seu oponente aceite os resultados oficiais, enquanto o partido de Sánchez questionou votos em seções eleitorais onde a candidata obteve maioria.
Histórico e contexto das eleições peruanas
Esta é a quarta vez que Keiko Fujimori disputa o segundo turno presidencial. Em 2021, ela perdeu para Pedro Castillo, aliado de Sánchez, que atualmente está preso por uma tentativa de autogolpe. O pai de Keiko, Alberto Fujimori, também deu um autogolpe em 1992.
Durante a campanha, Sánchez afirmou que aceitaria os resultados, mas recentemente mudou seu discurso, questionando a lisura do processo. Ele apelou aos órgãos de observação eleitoral e pediu reuniões para discutir “coisas estranhas e incomuns”. Keiko, por sua vez, tem pedido cautela e responsabilidade, ressaltando a importância dos registros oficiais.
Apoiadores de Sánchez convocam manifestações enquanto incerteza persiste
Em meio ao clima de incerteza, apoiadores de Roberto Sánchez estão organizando manifestações para demonstrar apoio ao candidato. Keiko Fujimori comentou sobre o direito dos cidadãos de se manifestarem, mas enfatizou que isso deve ocorrer dentro dos limites da lei e com respeito aos demais.
A possibilidade de protestos e a disputa apertada refletem a polarização política no Peru. A comunidade peruana no Brasil acompanhou de perto os desdobramentos, e a vitória de Keiko em solo brasileiro adiciona mais um elemento a essa eleição presidencial que promete ser decidida por margens mínimas.





