EUA e Irã Chegam a Acordo Preliminar Histórico Mediante Intermediação do Paquistão
Em um desenvolvimento significativo para a estabilidade regional, os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo preliminar para cessar as hostilidades por um período de 60 dias. Este pacto, mediado pelo Paquistão, visa reabrir o vital Estreito de Hormuz e pavimentar o caminho para futuras negociações que podem, em última instância, encerrar meses de conflito.
Embora o texto completo do acordo ainda não tenha sido divulgado, as informações emergentes indicam que questões complexas, como o programa nuclear iraniano, foram adiadas para rodadas de negociação posteriores. O acordo estabelece que os EUA iniciarão o desmantelamento de seu bloqueio naval ao Irã, enquanto Teerã removerá minas do Estreito de Hormuz, restaurando a navegação na via marítima crucial.
O anúncio foi feito no domingo, com declarações distintas das partes envolvidas. O presidente dos EUA, Donald Trump, descreveu o acordo como um “grande acordo” que trará “paz e segurança para toda a região”. Por outro lado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã classificou-o como um “memorando de entendimento”. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ressaltou o compromisso com uma “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, um ponto de grande relevância dadas as recentes hostilidades naquela região.
O Caminho para a Reabertura do Estreito de Hormuz
O Estreito de Hormuz, por onde transitava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo antes da guerra, foi efetivamente fechado pelo Irã durante os combates, elevando os preços globais de energia. Trump anunciou que o estreito será reaberto para navegação comercial a partir de sexta-feira, com o Irã removendo as minas que obstruem a via marítima. Ele também ordenou o fim imediato do bloqueio naval americano aos portos iranianos, que visava impedir o fluxo de petróleo.
Em entrevista ao The New York Times, Trump declarou que o estreito seria “permanentemente livre de pedágios”, revertendo a situação ao estado anterior ao conflito. Essa notícia levou a uma queda de quase 5% no preço do petróleo Brent, a referência global, para cerca de US$ 83 o barril. No entanto, a diplomacia iraniana indicou que pretende cobrar taxas por “serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, em vez de pedágios.
Questões Nucleares e Sanções Pendentes em Futuras Negociações
O acordo preliminar deixa a questão do programa nuclear iraniano sem resolução imediata. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que “questões nucleares” estarão entre os tópicos a serem discutidos na próxima rodada de negociações. Os pontos cruciais incluem o tempo de suspensão do enriquecimento de urânio pelo Irã, o destino de seu estoque atual de urânio enriquecido, o futuro das instalações nucleares e as futuras inspeções.
Trump tem insistido que o Irã deve abandonar seu estoque de urânio altamente enriquecido, que EUA e Israel temem que possa ser usado para fabricar armas nucleares, algo que o Irã nega veementemente. A suspensão do enriquecimento de urânio para “fins não militares” é um dos focos das negociações em andamento.
O destino de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados, estimados em cerca de US$ 25 bilhões em contas no exterior, também foi adiado. Gharibabadi afirmou que o levantamento das sanções será abordado em futuras conversas, mas Trump reiterou que o Irã não terá acesso a seus ativos ou alívio das sanções até que cumpra seus compromissos.
O Impacto no Conflito do Líbano e a Posição de Israel
O Irã e o Paquistão declararam que o acordo preliminar inclui um compromisso para encerrar operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde combates eclodiram entre Israel e o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã. Contudo, nem o Hezbollah nem Israel são partes diretas do acordo entre EUA e Irã, o que levanta questões sobre a aplicabilidade desse ponto.
Autoridades israelenses rejeitaram a perspectiva de qualquer retirada militar do Líbano. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as forças israelenses permanecerão na faixa de território libanês ocupada desde o início da guerra. A eficácia do cessar-fogo no Líbano dependerá da capacidade dos EUA de influenciar Israel e da cooperação do Irã em conter o Hezbollah.
Os compromissos do Irã, que não foram totalmente detalhados, estão programados para começar na próxima sexta-feira, data em que o acordo será formalmente assinado em Genebra. A partir daí, um período de 60 dias de cessar-fogo permitirá negociações para resolver as pendências, com mediadores estabelecendo as bases para discussões técnicas nesta semana.





