China propõe um Novo Rumo para a Governança Global, com Foco na ONU e no “Sul Global”
Em um documento de grande relevância diplomática, a China apresentou sua Iniciativa de Governança Global, uma resposta direta às crescentes tensões geopolíticas e desigualdades econômicas que marcam o cenário mundial atual. O país asiático reforça o papel central das Nações Unidas e defende uma reforma profunda em toda a organização, com ênfase especial no Conselho de Segurança.
A proposta chinesa ecoa discursos recentes, inclusive aqueles defendidos pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. O documento enfatiza a necessidade de dar mais voz aos países em desenvolvimento, o chamado “Sul Global”, e de estabelecer novas normas para áreas emergentes como a inteligência artificial, buscando um sistema internacional mais justo e equitativo.
“O multilateralismo é o único caminho viável a seguir”, afirma o texto publicado nesta quarta-feira (17), em um momento de intensas discussões sobre o futuro da ordem mundial. A iniciativa, embora não cite nominalmente os Estados Unidos, surge em um contexto onde a China busca consolidar sua influência diplomática e conter ações unilaterais de potências hegemônicas.
China Rejeita a “Lei da Selva” e Defende um Sistema Multilateral Fortalecido
A publicação detalha a posição da China, que declara que “nunca permitirá” que o país com o “punho maior” defina os rumos globais. Essa declaração é uma alusão clara à força econômica e militar dos Estados Unidos, a maior potência mundial. Pequim defende que a ONU, como um todo, precisa ser reformada para se alinhar ao contexto geopolítico atual.
No que diz respeito ao Conselho de Segurança, onde a China é membro permanente com poder de veto, a proposta é clara: ampliar a representatividade de países em desenvolvimento. Essa demanda não é nova; a chancelaria chinesa já defendia a necessidade de maior representação para as nações em desenvolvimento em 2005, argumentando que mais de dois terços dos membros da ONU estavam sub-representados no Conselho.
Histórico de Reformas e Apoio Internacional à Proposta Chinesa
A China tem sido uma defensora ativa da reforma do fórum das Nações Unidas há pelo menos duas décadas. Em 2023, em conjunto com outros membros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e África do Sul), o país reiterou a defesa de uma “reforma abrangente da ONU”, visando torná-la “mais democrática, representativa, eficaz e eficiente”.
Essa postura foi vista como um aceno ao desejo de países como Brasil, Índia e África do Sul de terem maior participação em instâncias decisórias globais. O presidente Lula, em abril, chegou a classificar os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Reino Unido, China, Rússia e França) como os “senhores da guerra”.
Iniciativa de Governança Global Ganha Aderência e Busca um Futuro Mais Justo
Até o momento, a iniciativa chinesa de governança global já demonstrou um alcance considerável, com 160 países e organizações internacionais expressando apoio, e outras 60 nações integrando o grupo de amigos do projeto, segundo o Ministério das Relações Exteriores da China. O projeto foi lançado oficialmente em agosto de 2025, durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai.
Naquela ocasião, o presidente Xi Jinping declarou que o objetivo principal é “promover a construção de um sistema mais justo e racional”. O documento atual retoma a condenação ao risco de um retorno à “lei da selva”, onde a força bruta ditaria as regras em detrimento do direito internacional, um tom já utilizado em encontros anteriores com líderes como Vladimir Putin, da Rússia.
China Reafirma Compromisso com a Não Proliferação Nuclear
Em meio às discussões sobre a ordem mundial e a segurança internacional, a China também reafirma seu compromisso de “não ser o primeiro a usar” armas nucleares. O país defende firmemente que uma guerra nuclear não pode ser vencida e, portanto, nunca deve ser travada, reforçando sua posição em prol da paz e da estabilidade global através de um sistema multilateral reformado e mais inclusivo.





