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Keiko Fujimori e Roberto Sánchez: Dois Projetos de País em Disputa no Peru, Segurança e Economia em Foco

Eleições no Peru: Keiko Fujimori e Roberto Sánchez Apresentam Planos Opostos para o Futuro do País

Com uma margem de menos de 1% das atas apuradas, a disputa presidencial no Peru se mostra acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, separados por apenas 90 mil votos. A eleição coloca em confronto dois projetos de país radicalmente diferentes, cujas propostas abordam desde a segurança pública até a estrutura econômica e a inserção internacional do Peru.

A realidade política peruana, no entanto, indica que o Congresso, fortalecido com o restabelecimento do Senado, terá papel crucial na condução do governo. A instabilidade política recente, com a queda de nove presidentes em uma década, comprova o poder do Legislativo.

As principais divergências entre os candidatos se concentram nas áreas de segurança e reforma do Estado. Keiko Fujimori, com uma abordagem populista de direita, evoca a memória de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, enquanto Sánchez propõe uma nova Constituição para fundar um Estado plurinacional, ideia herdada de seu padrinho político, Pedro Castillo.

A segurança pública emergiu como tema central devido ao aumento alarmante da criminalidade no Peru, a pior desde o conflito armado do final do século XX. Dados indicam que as denúncias anuais de homicídios mais que dobraram entre 2018 e 2025, e as de extorsão aumentaram mais de oito vezes no mesmo período.

Propostas de Segurança: Ordem e Controle Contra Reforma Policial

Keiko Fujimori, sob o lema “Peru com ordem”, aponta a insegurança como o principal problema nacional. Sua plataforma inclui a promessa de reduzir os assassinatos em 20% em cinco anos e a criação de um Centro Nacional de Comando e Videovigilância, utilizando inteligência artificial para prever crimes. Ela também propõe a construção de quatro megaprisionais de segurança máxima e o retorno dos “juízes sem rosto”, medida criticada por organizações de direitos humanos por ter levado à prisão de inocentes.

Por outro lado, Roberto Sánchez adaptou seu plano de governo para o segundo turno, buscando aproximação com o centro. Suas propostas incluem a revogação de leis consideradas “pró-crimes”, a criação de um Sistema Nacional Integrado de Informação Criminal e a reforma da polícia, com a formação de uma unidade de elite com maior poder de fogo para combater o crime organizado.

Economia: Estabilidade Macro e Cortes de Gastos Versus Investimento Público e Reforma Tributária

Apesar da estabilidade macroeconômica legada pelas reformas de Alberto Fujimori, o Peru enfrenta alta desigualdade e informalidade. Keiko Fujimori propõe uma política econômica baseada no corte de gastos públicos, desburocratização para atrair capital estrangeiro e a redução do déficit público para 1% do PIB até 2031, com a meta de atrair US$ 5 bilhões em investimentos e gerar 3 milhões de empregos formais.

Roberto Sánchez, em sua versão inicial, defendia o controle estatal de recursos estratégicos e intervenção no Banco Central. Contudo, em sua guinada para o centro, moderou o discurso, prometendo respeitar a independência do órgão financeiro. Suas propostas atuais focam em aumentar o investimento público em pesquisa e tecnologia, fortalecer a agricultura familiar e implementar uma reforma tributária progressiva.

Reforma do Estado e Política Externa: Constituyente e Integração Regional

No âmbito da reforma do Estado, Keiko Fujimori foca em modernizar o sistema de justiça, com a digitalização de procedimentos e redução do tempo médio de processos em 30%. Já Roberto Sánchez apresenta uma proposta mais ambiciosa: uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Constituição, que estabeleça um Estado plurinacional e reconheça os povos originários.

Em política externa, Keiko considera sair da OEA para aplicar a ferramenta de “juízes sem rosto”, além de buscar maior participação dos Estados Unidos na economia peruana, alinhando-se a uma corrente latino-americana que prioriza liberdade e investimentos. Sánchez, por sua vez, alinha-se à ideologia do PT, defendendo a integração latino-americana e citando o BRICS como um modelo de cooperação Sul-Sul, buscando diversificar relações internacionais e fortalecer alianças baseadas no respeito mútuo.

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