Alerta na Imigração: Mortes em Centros de Detenção do ICE Mais que Dobram Sob Governo Trump, Revelam Dados
Um aumento preocupante na taxa de mortalidade de imigrantes detidos nos Estados Unidos tem gerado fortes questionamentos sobre as condições e o atendimento médico oferecido nesses centros. Dados recentes indicam que o número de óbitos mais do que dobrou durante a administração de Donald Trump, levantando sérias preocupações.
Casos trágicos, como o de um homem vietnamita com problemas cardíacos que faleceu em uma antiga prisão de segurança máxima, e um chinês que tentou suicídio em outro centro, ilustram a gravidade da situação. Um hondurenho, com histórico de abstinência alcoólica, também morreu sem receber o atendimento de emergência necessário.
Esses incidentes não são isolados. Segundo registros do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), cerca de 50 pessoas morreram em centros de detenção para imigrantes desde o início da campanha de deportação em massa de Trump. Conforme análise da agência Reuters, a taxa de mortalidade saltou de uma morte a cada 3.848 detidos para uma a cada 1.630, um crescimento alarmante.
O Crescimento da População Detida e o Aumento das Mortes
A população de imigrantes detidos pelo ICE registrou um aumento significativo sob o governo Trump. Quando ele assumiu o cargo, o número era de cerca de 40 mil detidos. Esse número chegou a picos de aproximadamente 70 mil, antes de recuar para 57 mil no início de junho. Esse crescimento exponencial da população detida é apontado por especialistas como um fator que pode ter sobrecarregado os sistemas de saúde e supervisão nos centros.
A análise, baseada em pedidos de acesso a registros públicos e processada pelo Vera Institute of Justice, destaca que as causas das mortes podem ser complexas. No entanto, três especialistas que examinaram os registros do ICE e autópsias para a Reuters expressaram preocupação quanto à qualidade da supervisão e dos cuidados médicos oferecidos.
Falhas na Supervisão e Cuidados Médicos em Foco
Um ponto especialmente alarmante é que 21 das 50 mortes foram descobertas após o detido já ter falecido ou ficado inconsciente. Entre estes casos, dez foram suicídios, o que, segundo Sanjay Basu, médico associado da Universidade da Califórnia, em San Francisco, pode indicar uma falta de supervisão adequada da saúde física e mental, bem como de cuidados a tempo.
Ataques cardíacos e problemas cardiovasculares foram responsáveis por 16 mortes. Especialistas médicos sugerem que isso pode indicar falhas nos exames médicos iniciais e no tratamento de doenças crônicas. Chanelle Diaz, professora assistente de medicina na Universidade Columbia, aponta que os dados sugerem que a agência está prendendo pessoas clinicamente vulneráveis, resultando em um aumento de mortes evitáveis.
“O sistema não foi projetado para o gerenciamento de cuidados crônicos”, afirmou Diaz, ressaltando que pelo menos dois detidos com demência, que não representavam risco à segurança pública, vieram a falecer.
Escassez de Detalhes nos Relatórios Agrava a Falta de Transparência
Parte da dificuldade em determinar os fatores exatos que influenciam a taxa de mortalidade reside na escassez de detalhes nos relatórios do governo Trump sobre as mortes nos centros de detenção. Os documentos analisados pela Reuters e por especialistas contêm menos informações sobre as circunstâncias de cada óbito do que relatórios anteriores.
Muitos relatórios omitiram dados cruciais, como histórico médico do detento, medicamentos prescritos e detalhes sobre a resposta de emergência. Michele Heisler, diretora médica da Physicians for Human Rights, citou o caso de Santos Reyes Banegas, um hondurenho que faleceu em Nova York. O relatório do ICE indicou que ele apresentava sintomas de abstinência alcoólica e recebeu medicação, mas não especificou qual, nem confirmou se foi administrada.
Heisler questionou por que Reyes não foi encaminhado imediatamente a um pronto-socorro, dada a gravidade da abstinência alcoólica, que pode ser fatal se não tratada adequadamente. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que a morte está sob investigação e que a causa preliminar parece ser insuficiência hepática complicada por alcoolismo, mas uma investigação da Procuradoria-Geral de Nova York concluiu que o agente de plantão não causou a morte.
O DHS, por meio de sua porta-voz Lauren Bis, declarou estar comprometido em garantir um ambiente “seguro, protegido e humano” e que “atendimento médico abrangente é prestado desde o momento em que as pessoas chegam e durante toda a sua permanência”. No entanto, a análise dos dados e a falta de transparência nos relatórios continuam a alimentar as dúvidas sobre a qualidade do atendimento médico nos centros de detenção de imigrantes.





