Ataques Israelenses no Líbano: 47 Mortos e Risco para Acordo de Paz nos EUA-Irã
A recente escalada de violência entre Israel e o grupo Hezbollah, com ataques letais em território libanês e baixas entre soldados israelenses, lança uma sombra de incerteza sobre o acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã para conter a guerra no Oriente Médio. A França já pediu que Washington intervenha para cessar as hostilidades.
Os confrontos mais recentes, marcados por bombardeios atribuídos a Israel que mataram pelo menos 47 pessoas no Líbano, e uma ofensiva do Hezbollah que resultou na morte de quatro soldados israelenses, contradizem o espírito do entendimento assinado no último domingo (14). O acordo previa o fim das operações militares em todas as frentes do conflito, incluindo a libanesa.
Apesar de uma breve diminuição da violência no início da semana, os combates voltaram a se intensificar, gerando preocupação internacional. A situação também afeta as negociações em curso, com o adiamento de conversas técnicas cruciais e a desistência de autoridades americanas, segundo informações divulgadas pela Reuters e pelo The New York Times. Conforme apurado pelas fontes, o governo suíço confirmou o adiamento das negociações e reafirmou sua disposição em mediar o diálogo.
Acordo EUA-Irã em Risco e Reações Inflamadas
O acordo entre Washington e Teerã, que visava transformar um memorando de entendimento em um pacto de paz permanente, enfrenta resistência interna e externa. Autoridades israelenses criticam o acordo, alegando que ele não aborda adequadamente as preocupações com o programa nuclear iraniano e restringe a capacidade de Israel de agir contra o Hezbollah. Nos Estados Unidos, aliados de Donald Trump questionam se a Casa Branca fez concessões excessivas em troca de alívio de sanções e desbloqueio de ativos iranianos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que Trump assinou o acordo “por desespero” e alertou que futuras negociações sobre o programa nuclear não serão fáceis, com o Irã recusando exigências excessivas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano também prometeu responder a qualquer violação do acordo.
O Memorando e as Acusações Mútuas
O memorando assinado pelos dois países estabelece um prazo de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear iraniano e outras questões pendentes, além da criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã, com outros incentivos financeiros. A possibilidade de prorrogação do cessar-fogo temporário também está prevista. Contudo, nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Israel de desejar uma “guerra permanente”, após declarações do ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben Gvir, de que “todo o Líbano deve queimar”.
“Isto não é um desabafo de um lunático genocida qualquer. É uma publicação do ministro da Segurança Nacional do regime israelense. O culto genocida da morte, sediado em Tel Aviv, é uma ameaça para toda a humanidade. Ameaça todos os seres humanos”, escreveu Araghchi no X.
Balanço de Vítimas e Justificativas de Israel
No Líbano, ataques aéreos israelenses mataram 47 pessoas e feriram outras 97, segundo o Ministério da Saúde de Beirute. As autoridades libanesas informaram que os bombardeios dificultam os trabalhos de resgate e que o número de vítimas pode aumentar. Na vila de Harouf, sete pessoas morreram e várias outras estariam sob os escombros. Israel, por sua vez, afirmou que os ataques tiveram como alvo integrantes e infraestruturas do Hezbollah no sul do Líbano, justificando a ofensiva pela alegada violação do cessar-fogo pelo grupo apoiado pelo Irã.
As Forças Armadas de Tel Aviv divulgaram ter atacado mais de 80 alvos, incluindo centros de comando da organização, e afirmaram ter eliminado dezenas de combatentes. O Exército israelense confirmou a morte de quatro soldados, sem divulgar detalhes. O atual conflito na fronteira, iniciado em 2 de março, já resultou na morte de 3.912 pessoas no Líbano desde essa data, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças, e de pelo menos 32 soldados e quatro civis do lado israelense.
Reações Internas em Israel e o Cenário no Líbano
A morte dos militares israelenses provocou reações inflamadas dentro do governo de Israel. Ministros de extrema direita como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich defenderam uma resposta mais dura contra o Líbano. Ben-Gvir publicou em redes sociais que, para cada lágrima de uma mãe israelense, “mil mães libanesas devem chorar”. Smotrich afirmou que chegou o momento de “abrir os portões do inferno”.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou que a intensificação dos ataques mina o cessar-fogo. De acordo com o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses já causaram um alto número de vítimas no país. Do lado israelense, as baixas militares e civis também são significativas, evidenciando a gravidade do conflito em curso na fronteira.





