Multidões em Teerã para o cortejo fúnebre de Ali Khamenei, com forte carga de protesto contra EUA e Israel
Centenas de milhares de iranianos se reuniram em Teerã nesta segunda-feira para o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do país. O evento marcou o ápice de uma semana de cerimônias que demonstraram a força política da liderança clerical iraniana.
As imagens aéreas exibidas pela televisão estatal mostraram uma massa humana ocupando uma ampla avenida central da capital. Caixões do líder falecido e de familiares foram transportados em um caminhão, com jatos de água de caminhões de bombeiros ajudando a amenizar o calor intenso sobre os presentes.
Durante o percurso, manifestantes atiraram pedras em um painel com a imagem do presidente americano Donald Trump, que ostentava uma bala direcionada à sua cabeça, um ato que reflete a tensão política e o clima de revolta após o fim de um conflito. A informação foi divulgada pela mídia estatal iraniana.
Protestos e Ameaças Diretas a Líderes Ocidentais e Israelenses
O cortejo fúnebre se tornou palco de expressivos protestos contra os Estados Unidos e Israel. Bandeiras americanas e britânicas foram queimadas por manifestantes, enquanto mulheres em chadores pretos erguiam cartazes com a frase em inglês “Matem Trump” em letras maiúsculas. Outros painéis exibiam os rostos de Donald Trump, do vice-presidente J.D. Vance, do secretário de Defesa Pete Hegseth e do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, todos retratados na mira de uma arma, acompanhados da ameaça “haverá sangue”.
A maior parte dos participantes agitava bandeiras iranianas e faixas vermelhas com o chamado aos “vingadores de Khamenei”, uma expressão que remete ao martírio xiita. Em resposta, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que Ali Khamenei liderava um programa com o objetivo de destruir Israel e que qualquer líder iraniano que tentar repetir tal plano também será morto.
Ausência de Mojtaba Khamenei e Detalhes das Cerimônias
No domingo, três filhos do líder falecido rezaram ao lado de seu caixão. Contudo, Mojtaba Khamenei, apontado como seu provável sucessor na liderança suprema, não foi visto publicamente desde o início da guerra em 28 de fevereiro, levantando especulações sobre possíveis ferimentos sofridos no ataque que vitimou seu pai. As cerimônias iniciadas na sexta-feira incluíram a exposição dos caixões de Ali Khamenei e de quatro familiares para autoridades iranianas e estrangeiras.
As autoridades anunciaram que o corpo de Ali Khamenei será levado para Qom, centro religioso xiita, e para cidades sagradas no Iraque, antes de retornar ao Irã para o sepultamento em Mashhad, sua cidade natal. O fim da guerra recente foi marcado por um acordo preliminar de paz que manteve a liderança clerical no poder, com o regime iraniano afirmando ter saído vitorioso e ampliado sua influência.
Retórica de Trump e Resposta Iraniana
Donald Trump declarou vitória no conflito, apesar de seus objetivos iniciais, como a destruição dos programas nuclear e de mísseis do Irã, não terem sido totalmente alcançados. O presidente americano anunciou o adiamento das negociações de paz com o Irã por uma semana, devido às cerimônias fúnebres. Em declarações recentes, Trump voltou a ameaçar Teerã, afirmando que “ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço”, e que seria fácil “derrubar as pontes deles em uma hora” e “acabar com o fornecimento de energia deles”.
Em resposta, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, classificou a ameaça de Trump como “delirante”. Zolqadr aconselhou Trump a falar com o povo iraniano com respeito, caso contrário, “responderemos em outra linguagem”, demonstrando a firmeza da posição iraniana diante das pressões internacionais.





