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Marine Le Pen pode concorrer à Presidência da França com tornozeleira eletrônica após condenação por peculato

Marine Le Pen enfrenta restrições judiciais que podem impactar sua campanha presidencial de 2027

A líder da ultradireita francesa, Marine Le Pen, poderá disputar as eleições presidenciais de 2027, mas com a imposição de uma tornozeleira eletrônica. Uma decisão da Justiça francesa nesta terça-feira (7) negou parcialmente seu recurso contra uma condenação por peculato, estabelecendo novas condições para sua liberdade e eventual candidatura.

A condenação, que inclui pena de prisão com sursis, inegibilidade e multa, levanta questionamentos sobre a viabilidade de uma campanha eleitoral sob monitoramento judicial. A dificuldade logística e as restrições impostas podem levar Le Pen a considerar a possibilidade de ceder sua candidatura a Jordan Bardella, presidente e figura popular do partido Reunião Nacional.

A decisão do Tribunal de Apelações de Paris determinou três anos de prisão para Le Pen, com dois anos de suspensão condicional da pena e o uso de tornozeleira eletrônica por um ano. Além disso, foi fixada sua inegibilidade por 45 meses, com suspensão da pena por 30 meses, e mantida uma multa de 100 mil euros. Conforme a fonte, a intenção de Le Pen de concorrer pela quarta vez depende agora da sua capacidade de lidar com uma circunstância de campanha que ela previamente declarou não tolerar. As informações são do portal G1.

Penalidades e o futuro político de Le Pen

Apesar da possibilidade de um novo recurso à Corte de Cassação, Marine Le Pen já expressou anteriormente o desejo de não estender o processo judicial. A condenação em questão remonta a 2015, quando foi acusada de ter utilizado 1,4 milhão de euros de recursos do Parlamento Europeu para pagar funcionários de seu partido. Le Pen foi eurodeputada entre 2004 e 2017.

Em depoimento anterior ao Tribunal de Apelações, Le Pen negou qualquer esquema fraudulento, mas admitiu equívocos na gestão de seus assistentes parlamentares. A parlamentar tem uma entrevista agendada na TV onde se espera que ela aborde o tema e revele se irá ou não se submeter à campanha com a tornozeleira eletrônica, algo que ela já afirmou que não faria por necessitar de “total liberdade de movimento”.

Reações e o cenário eleitoral de 2027

Espera-se que Le Pen e seus aliados acusem a decisão de ativismo judicial, considerando o impacto direto no pleito de 2027. O Tribunal de Apelações, em comunicado, afirmou ter considerado “a liberdade de escolha do eleitor” e ponderou que, “à época dos fatos, [as penas de ineligibilidade] não eram obrigatórias”.

A eleição de abril de 2027 marcará o fim da era Emmanuel Macron, que não poderá concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Le Pen, que em 2017 e 2022 foi superada apenas por Macron, chega a esta disputa com popularidade significativamente maior. O presidente francês, Emmanuel Macron, em visita à Síria, declarou que “saudável para a democracia é que o presidente da República não comente decisões judiciais”.

A ascensão da ultradireita e o papel de Jordan Bardella

Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, tem buscado, nos últimos dez anos, tornar o partido mais palatável para o eleitorado francês. Ela afastou o pai, rebatizou a sigla e, em 2022, conseguiu emplacar uma bancada de 143 deputados de extrema direita na Assembleia Nacional, a maior do parlamento francês.

Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional e com 30 anos, surge como a figura de maior apelo da sigla. Fluente nas redes sociais e defensor das bandeiras da ultradireita europeia, Bardella também busca suavizar sua imagem pública, exemplificado por seu relacionamento com a aristocrata italiana Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, que também atua como influenciadora. Observadores veem essa estratégia como uma tentativa de reeditar o esforço de Le Pen em tornar o partido mais acessível ao eleitor médio.

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