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Músicas Eternas de Benedito Ruy Barbosa: De Zé Ramalho a Maria Bethânia, trilhas que marcaram novelas e o coração do Brasil

As melodias que definiram gerações nas novelas de Benedito Ruy Barbosa e continuam vivas na memória afetiva do público.

A notícia do falecimento de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, em São Paulo, reacende memórias de suas obras marcantes. Mais do que tramas envolventes, suas novelas nos presentearam com trilhas sonoras que se tornaram parte da cultura brasileira, com canções que transcendem o tempo e as próprias histórias.

De Zé Ramalho a Maria Bethânia, passando por Nelson Gonçalves e Renato Teixeira, o novelista soube como poucos escolher e usar a música para potencializar a emoção de seus personagens e cenários. Essas canções não apenas acompanharam as narrativas, mas se tornaram hinos que ainda hoje são associados a momentos icônicos da televisão.

Conforme informação divulgada pela imprensa, as trilhas sonoras de Benedito Ruy Barbosa, especialmente as de suas sagas épicas como “O Rei do Gado”, consolidaram um elo profundo entre a música popular e a teledramaturgia, provando que algumas melodias são tão eternas quanto as histórias que ajudaram a contar.

“Admirável Gado Novo” e a força dos sem-terra em “O Rei do Gado”

É impossível falar de “O Rei do Gado” (1996) sem evocar a poderosa gravação de “Admirável Gado Novo”. A canção de Zé Ramalho, originalmente lançada em 1979, ganhou uma nova dimensão ao sonorizar o núcleo dos sem-terra na novela de Benedito Ruy Barbosa. O próprio Zé Ramalho relembrou, em redes sociais, como a música viajou pelo mundo e ainda é lembrada pelas emocionantes cenas da trama.

A escolha da música potencializou a mensagem da novela, conectando o público à luta e aos anseios dos personagens. A força da interpretação de Ramalho e a temática da canção se casaram perfeitamente com a narrativa rural e social que Benedito Ruy Barbosa tão bem retratava.

“Cabocla”: entre o vozeirão de Nelson Gonçalves e a poesia de Renato Teixeira

Outra obra fundamental na discografia das novelas de Benedito é “Cabocla” (1979). A abertura da novela foi marcada pela inesquecível gravação de “Magoas de Caboclo”, composição de J. Cascata e Leonel Azevedo, na voz potente de Nelson Gonçalves. Lançada originalmente em 1936, a canção se consolidou na memória afetiva do público associada à interpretação de Gonçalves.

Na mesma novela, a parceria com Renato Teixeira se fortaleceu com a canção “Amora”. O compositor paulista, conhecido por seu estilo folk e pela maestria em retratar o Brasil rural, iniciou ali uma colaboração prolífica com as tramas de Benedito, que levariam a paisagens sonoras únicas para a televisão.

“Pantanal” e a magia de Maria Bethânia e Marcus Viana

A novela “Pantanal” (1990) é um capítulo à parte quando se fala em trilhas sonoras memoráveis. A versão original contou com a interpretação de Maria Bethânia para “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira. A novela também se destacou por canções como “Estrela Natureza”, da dupla Sá & Guarabyra, e pelas composições originais de Marcus Viana.

Os temas “Amor Selvagem” e a própria “Pantanal”, gravados pelo grupo Sagrado Coração da Terra, contribuíram para a atmosfera mágica da trama. O remake de 2022 trouxe de volta o tema de abertura, novamente com a voz marcante de Maria Bethânia, reforçando a força dessas melodias.

“Velho Chico” e “Renascer”: a continuidade de um legado musical

A última novela inédita de Benedito Ruy Barbosa, “Velho Chico” (2016), também ostentou uma trilha sonora impactante. A gravação de Maria Bethânia para “Mortal Loucura”, com música de José Miguel Wisnik e versos de Gregório de Matos, foi produzida por Marcio Arantes e adicionou mais uma pérola ao acervo musical do novelista.

Já a novela “Renascer”, tanto em sua versão original de 1993 quanto no remake de 2024, foi iluminada pela canção “Lua Soberana”, composição de Ivan Lins. Ele também é o autor do tema de abertura da versão original, “Confins”. Essas escolhas musicais demonstram como Benedito Ruy Barbosa entendia a alma de suas histórias, traduzindo-a em melodias que se tornaram inesquecíveis e continuam a reverberar.

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