Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Venezuelanas em Roraima Mobilizam Doações Massivas para Vítimas de Terremotos na Venezuela

Venezuelanas em Roraima Lideram Ação Humanitária para Socorrer Vítimas de Terremotos na Venezuela

Um caminhão de 14 metros, carregado com cerca de 17 toneladas de donativos, partiu de Boa Vista, Roraima, com destino a Santa Elena de Uairén, na Venezuela. A carga, composta por alimentos, água potável, produtos de higiene, medicamentos, roupas e outros itens essenciais, é um gesto de solidariedade vindo de venezuelanas que reconstruíram suas vidas no Brasil.

A iniciativa foi organizada por quatro empresárias venezuelanas que, ao acompanharem as notícias dos devastadores terremotos que atingiram a Venezuela, sentiram a necessidade de agir. A campanha, que começou há pouco mais de uma semana, rapidamente mobilizou a comunidade em Roraima e em outros estados brasileiros, demonstrando a força da união em tempos de crise.

As doações foram arrecadadas através de uma rede de apoio que incluiu outros empresários, igrejas, instituições e moradores locais. O objetivo é levar socorro às regiões mais afetadas, como La Guaira, que sofreu o impacto principal em 24 de junho. A ação, conforme divulgado pelas organizadoras, visa levar ajuda humanitária direta às famílias necessitadas, segundo relata a empresária Katherine Motta.

Solidariedade Transcende Fronteiras: A Jornada da Arrecadação

A mobilização para arrecadar os donativos ocorreu em tempo recorde, com cerca de 900 pessoas participando diretamente das doações e aproximadamente 60 voluntários dedicados à triagem, separação e carregamento dos materiais. A campanha optou por focar exclusivamente em produtos, recusando contribuições em dinheiro para garantir que a ajuda chegasse de forma tangível.

A rede de solidariedade se expandiu rapidamente, ultrapassando os limites de Boa Vista. Clientes de outros estados brasileiros realizaram compras online de alimentos e medicamentos em supermercados e farmácias, enviando os produtos para os pontos de coleta em Roraima. Essa colaboração inter-estadual amplificou o alcance da campanha.

As idealizadoras da iniciativa compartilham histórias semelhantes de migração para o Brasil em decorrência da crise venezuelana. Ao reconstruírem suas vidas em Boa Vista, elas agora utilizam suas empresas e visibilidade nas redes sociais para impulsionar a campanha. “Quando pensei nisso, percebi que talvez eu não tivesse dinheiro para fazer uma grande doação, mas tinha uma marca conhecida e podia usar essa visibilidade para mobilizar pessoas”, afirma Gresliz Aguilera, proprietária de uma loja de donuts.

Voluntariado Brasileiro se Une ao Esforço Humanitário

A solidariedade não se limitou à comunidade venezuelana. Voluntários brasileiros também se engajaram ativamente na ação. Carina Frota Farias, servidora pública e diretora da unidade da Nova Acrópole em Boa Vista, uma instituição sem fins lucrativos, destacou a importância da generosidade. “A generosidade não é sobre dar o que sobra, mas oferecer nossa humanidade a quem precisa”, disse.

A transportadora responsável pelo envio do caminhão também cedeu o transporte gratuitamente até a fronteira, reforçando o caráter humanitário da missão. Francisco Faustino, sócio da empresa com vasta experiência na fronteira venezuelana, declarou que a viagem possui um significado especial. “É uma ajuda humanitária. Tenho muito respeito pelo povo venezuelano e faço isso com muito prazer.”

Dois socorristas brasileiros, Pedro Ortiz, bombeiro civil, e Maria Albuquerque, técnica em enfermagem, também seguiram voluntariamente para a Venezuela para atuar nas áreas atingidas. Pedro Ortiz aproveitou um período de folga para dedicar duas semanas ao auxílio nos resgates, enquanto Maria Albuquerque adaptou seus planos de aniversário para prestar ajuda ao seu povo.

O Peso da Dor Coletiva e a Crítica à Gestão de Resgates

Embora as organizadoras não tenham perdido parentes próximos, o sentimento de luto coletivo é palpável. “A Venezuela é nossa família”, afirma Gresliz, expressando a dor ao pensar nas crianças órfãs, nas famílias desabrigadas e nas pessoas desaparecidas. Katherine Motta reforça essa angústia, descrevendo o luto que persiste mesmo entre aqueles que conseguiram recomeçar no Brasil.

A empresária Maria Goretti Cinco relatou que familiares do marido de sua sobrinha faleceram após o desabamento de um edifício em La Guaira. Ela também criticou a condução das operações de resgate pelas autoridades venezuelanas, alegando que equipamentos estariam sendo usados para proteger patrimônios em detrimento das vítimas sob os escombros, com a política influenciando negativamente os esforços de salvamento.

O Trabalho Continua: Olhando para a Reconstrução

Apesar do envio da primeira carreta, as organizadoras enfatizam que o trabalho está apenas começando. Yamilet Maita, massoterapeuta venezuelana residente em Boa Vista há nove anos, ressalta a importância de manter o apoio mesmo após o noticiário diminuir. “Quando as câmeras forem embora é que a população vai continuar precisando de ajuda”, alertou.

As empresárias planejam manter os pontos de arrecadação ativos nas próximas semanas, com o objetivo de organizar novas remessas de donativos para a Venezuela. A expectativa é que, à medida que a fase emergencial dê lugar ao longo processo de reconstrução, a ajuda continue a fluir para o país.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos