Justiça americana determina que Donald Trump pague indenização milionária a escritora por abuso sexual e difamação
Um juiz federal em Manhattan, Nova York, determinou nesta quarta-feira (8) que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pague uma indenização de US$ 5,8 milhões (aproximadamente R$ 30 milhões) à escritora Elizabeth Jean Carroll. O valor engloba a indenização original de US$ 5 milhões, estabelecida em uma sentença de 2023, acrescida de juros.
Trump foi considerado culpado por abuso sexual e difamação contra Carroll. A decisão judicial ocorre após a Suprema Corte dos EUA, em 29 de junho, recusar-se a julgar o recurso do ex-presidente, sem que nenhum dos nove juízes, incluindo os indicados por ele, apresentasse dissidência.
Apesar da decisão, os advogados de Trump reagiram rapidamente, anunciando um novo recurso ao tribunal federal de apelações de Manhattan. Um porta-voz da equipe jurídica do ex-presidente classificou o processo como uma “caça às bruxas” e uma “farsa financiada pelos democratas”. As informações foram divulgadas conforme apuração de agências de notícias internacionais.
Trump alega danos irreparáveis e busca adiar pagamento
Os advogados de Donald Trump haviam solicitado, em um documento apresentado na terça-feira (7), que o pagamento da indenização fosse adiado até que a Suprema Corte analisasse um novo recurso para anular o veredito. Eles argumentaram que Trump sofreria danos irreparáveis caso Carroll doasse o dinheiro, pois sua recuperação seria improvável.
A defesa do ex-presidente também sustentou que permitir o recebimento da indenização por Carroll antes de uma nova análise da Suprema Corte “minaria a confiança do público em um processo judicial ordenado”. Segundo os advogados, tanto apoiadores quanto críticos de Trump expressam preocupações sobre a instrumentalização do sistema jurídico para fins políticos.
Batalha judicial se arrasta por quase sete anos
A escritora Elizabeth Jean Carroll, de 82 anos, e Donald Trump, de 80, travam uma batalha judicial há quase sete anos. As acusações começaram quando Carroll tornou público que o ex-presidente a teria estuprado por volta de 1996, em um provador de uma loja de departamentos em Manhattan.
Trump, por sua vez, sempre negou veementemente as acusações, classificando-as como uma “farsa” e um “golpe”. Ele afirma não conhecer Carroll e sustenta que a história do suposto estupro foi inventada por ela.
Vereditos anteriores e novos recursos
Em um veredito anterior, os jurados concederam a Carroll US$ 5 milhões, embora não tenham concluído que Trump a estuprou. Posteriormente, em janeiro de 2024, um júri diferente condenou o republicano a pagar uma indenização de US$ 83,3 milhões a Carroll.
O 2º Tribunal de Apelações do Circuito dos EUA, em Manhattan, já havia se recusado a anular o veredito de US$ 83,3 milhões em setembro passado. Trump manifestou a intenção de recorrer dessa decisão à Suprema Corte, com a defesa argumentando que um recurso bem-sucedido poderia impactar a base do veredito de US$ 5 milhões. Carroll, por sua vez, acusou Trump de protelar os processos para evitar responsabilidades.





