China envia felicitações a Trump pelo 250º aniversário dos EUA, mas contrapõe com crítica midiática
O Ministério das Relações Exteriores da China anunciou que o presidente Xi Jinping enviou parabéns a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pela comemoração dos 250 anos de independência americana. O gesto diplomático contrasta com a abordagem utilizada pela imprensa estatal chinesa.
A agência de notícias Xinhua, ligada ao governo chinês, publicou um vídeo de animação criado com inteligência artificial para criticar a política externa dos Estados Unidos. A produção, intitulada “Uma História em Chamas”, utiliza o personagem Tio Sam para ilustrar a história americana.
O vídeo, divulgado em plataformas digitais, mostra o Tio Sam soprando as velas de um bolo de aniversário, que se transformam em mísseis em miniatura. Estes projéteis atingem o Oriente Médio em um mapa, acompanhados pela mensagem “Apagando velas, explodindo países”. A animação finaliza com a afirmação: “Os Estados Unidos não estiveram em guerra por menos de duas décadas em meio aos seus 250 anos de história”.
Críticas em meio à tensão no Oriente Médio
A divulgação deste vídeo crítico ocorre em um momento de acirramento das tensões no Oriente Médio, com a escalada de ataques no Irã. O presidente Donald Trump responsabilizou o Irã pela queda do acordo nuclear, citando ataques retaliatórios contra alvos americanos na região do Golfo Pérsico.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, expressou preocupação com os desdobramentos no Oriente Médio, afirmando que a retomada do conflito não beneficia nenhuma das partes envolvidas. Ela apelou para que os EUA e o Irã resolvam suas disputas através do diálogo e da negociação, evitando o uso da força.
Inteligência artificial como ferramenta de crítica
Esta não é a primeira vez que Pequim utiliza vídeos de inteligência artificial para criticar ou satirizar as ações dos Estados Unidos. Em março, a emissora estatal CCTV publicou uma produção similar que atribuía aos americanos a responsabilidade por bombardeios que teriam destruído uma escola primária no Irã, resultando na morte de 175 pessoas, a maioria crianças.
Em outra ocasião, em janeiro deste ano, a Embaixada da China em Washington utilizou a águia, símbolo americano, em uma sátira. Essas publicações refletem o posicionamento do regime chinês, mesmo que oficialmente Pequim afirme buscar um papel imparcial e estabilidade nas relações bilaterais com os EUA.
Relações diplomáticas tensas, mas com cautela
As relações entre China e Estados Unidos atravessam um período de “panos quentes”, com ambos os países buscando evitar novas escaladas na guerra comercial. A visita de Donald Trump a Pequim em maio e os contatos periódicos entre o chanceler chinês Wang Yi e o secretário de Estado americano Marco Rubio indicam uma tentativa de manter a estabilidade, segundo relatos do Ministério das Relações Exteriores chinês.
No entanto, a estratégia de comunicação chinesa demonstra uma dualidade, combinando gestos diplomáticos formais com críticas contundentes veiculadas através de mídias estatais e tecnologias como a inteligência artificial, visando moldar a percepção pública sobre as políticas americanas.





