Mateus Aleluia: O Canto que Transcende o Tempo e Toca a Alma no Rio de Janeiro
O Teatro Nelson Rodrigues foi palco, na noite deste sábado, 11 de julho, de uma apresentação que transcendeu a simples audição musical. O renomado cantor baiano Mateus Aleluia, aos 82 anos, protagonizou um show solo que emocionou e arrebatou o público presente, celebrando a **nobreza do amor** e a profunda ancestralidade que emanam de sua obra.
A performance, que marca a estreia da turnê carioca de “Seu Mateus”, como é carinhosamente chamado, exigiu do público um mergulho em um tempo distinto, livre das urgências cotidianas. Foi uma imersão na serenidade e na sabedoria de um artista que se apresentou como uma “divindade encarnada”, um “preto velho” portador de uma carga ancestral inestimável.
“O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro”, ressaltou o icônico integrante do grupo Os Tincoãs, em um momento de profunda conexão com a plateia. Essa simplicidade e profundidade, conforme descrito por um jornalista carioca atuante na área musical desde 1987, com passagens por veículos como ‘O Globo’ e ‘Bizz’, é a essência da experiência proporcionada pelo artista. A informação foi divulgada pelo próprio veículo onde o jornalista atua.
A Voz Ancestral que Desperta Memórias
Mateus Aleluia, que tem uma presença esporádica nos palcos cariocas, com sua última apresentação na cidade datando de 2017, demonstrou uma vez mais a força de sua voz grave e profunda. No palco do Teatro Nelson Rodrigues, a simplicidade de sua voz e violão foi suficiente para puxar o fio da memória ancestral, evocando as ricas vivências na África e em sua cidade natal, Cachoeira (BA).
O roteiro autoral, iniciado com a canção “Homem! O animal que fala” (2009), conduziu o público por uma jornada sonora que remete a figuras como Dorival Caymmi, a quem Gilberto Gil qualificou como um “Buda Nagô”. Essa comparação, segundo o jornalista, se aplica a Mateus Aleluia pela sua capacidade de expressar a **nobreza do amor** em suas composições, trazendo paz e serenidade ao espírito.
Doce Fogueira e a Presença do Divino
Canções como “Sonhos cor de criola” e “Filho de rei”, presentes no álbum “Fogueira doce” (2020), evidenciaram o aspecto transcendental da obra de Mateus Aleluia. A música-título do álbum encerrou a apresentação, sem bis, deixando a plateia em êxtase. A declaração “Eu vi Obatalá”, presente em uma de suas composições, ecoou no teatro, convidando à crença em algo maior, uma dimensão espiritual que apenas a música de Mateus Aleluia parece capaz de acessar.
O show, que contou com ingressos esgotados para ambas as apresentações no Rio de Janeiro, demonstrou a força e a relevância de Mateus Aleluia na música brasileira. A apresentação, que durou cerca de duas horas, foi um bálsamo para a alma, como descreveu o jornalista, que teve o privilégio de assistir também a um show do artista em Salvador, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, acompanhado pela Orquestra Afrosinfônica.
“Cordeiro de Nanã” e a Sabedoria Ancestral
Um dos maiores sucessos dos Tincoãs, “Cordeiro de Nanã” (1977), foi interpretado com a intensidade que lhe é característica, entremeado por um lamento falado que ressoa as dores do povo negro ao longo dos séculos. No entanto, mesmo ao abordar a dor, o canto de Mateus Aleluia ameniza o sofrimento com a sabedoria de quem encontrou a paz interior e utiliza a música como alimento para a alma.
Ao final da apresentação, Mateus Aleluia agradeceu ao público, sentindo-se “abastecido”. Contudo, foi ele quem, de fato, abasteceu a todos com uma música capaz de nutrir o espírito e emanar boas vibrações, proporcionando serenidade àqueles que se permitiram vivenciar a experiência única de um show solo de Mateus Aleluia.





