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Chefão do Cartel de Sinaloa, “El Mayo” Zambada é condenado à prisão perpétua nos EUA e a pagar R$ 76 bilhões

Chefão do Cartel de Sinaloa, “El Mayo” Zambada é condenado à prisão perpétua e a pagar R$ 76 bilhões nos EUA

O destino de Ismael “El Mayo” Zambada, um dos rostos mais proeminentes do Cartel de Sinaloa, foi selado em Nova York. Um tribunal americano sentenciou o narcotraficante mexicano à prisão perpétua, além de determinar o confisco de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 76 bilhões) em bens. A decisão marca o fim de uma era para um dos líderes mais influentes do crime organizado no México.

Preso nos Estados Unidos há dois anos, Zambada optou por um acordo com a justiça, declarando-se culpado em agosto de 2025 de diversos crimes. Essa confissão evitou um julgamento mais longo e a possibilidade de a promotoria buscar a pena de morte. Sua sentença, sem possibilidade de liberdade condicional, foi proferida pelo juiz federal Brian Cogan.

A declaração de culpa de “El Mayo” ecoa a de seu antigo parceiro, Joaquín “El Chapo” Guzmán, que já cumpre pena perpétua nos Estados Unidos. Diante do tribunal, Zambada leu uma carta onde reconheceu seus atos e aceitou a responsabilidade por seus crimes, conforme noticiado pela agência AFP. A notícia foi divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA.

“Não nego a verdade do que aconteceu”

Em um momento de rara introspecção, Ismael Zambada dirigiu-se ao tribunal com palavras que buscavam assumir a culpa. “Tomo a liberdade de reconhecer perante vocês, de alguma forma, que causei danos e assumo a responsabilidade. Não me submeti a julgamento porque não nego a verdade do que aconteceu; sei que o que fiz foi errado e não há justificativa para o que fiz”, declarou, segundo o jornal mexicano Excelsior. Ele também proferiu um apelo pela paz, pedindo que a violência cesse no México e em outras partes do mundo, lamentando as vidas perdidas e famílias destruídas.

A captura e a traição

Aos 76 anos, “El Mayo” Zambada foi detido em um aeroporto dos EUA em 26 de julho de 2024. Segundo relatos, ele alega ter sido enganado para embarcar em um voo que o entregou às autoridades americanas. Essa entrega teria sido orquestrada por Joaquín Guzmán López, um dos filhos de “El Chapo”. O próprio filho de “El Chapo” admitiu ter enganado Zambada para levá-lo aos EUA, em busca de clemência da justiça americana, conforme confessado em dezembro passado em um tribunal federal em Chicago.

Guerra interna e o futuro do cartel

A traição de Guzmán López contra Zambada desencadeou uma violenta guerra interna entre facções do Cartel de Sinaloa, que já resultou em mais de 1.200 mortes no México. Outros dois filhos de “El Chapo” lideram a facção conhecida como “Chapitos”, apontada pelas autoridades americanas como um dos principais vetores do tráfico de fentanil. Um quarto filho, Ovidio Guzmán López, também foi preso no México e extraditado para os EUA, onde se declarou culpado por tráfico de drogas e participação em organização criminosa.

Tensões diplomáticas e acusações no México

A captura de “El Mayo” Zambada gerou tensões entre México e Estados Unidos. O México anunciou uma investigação para apurar se houve violação de sua soberania na operação. Na época, a embaixada dos EUA no México assegurou que nenhuma agência americana participou da ação. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a participação de agências americanas violaria tratados internacionais e a Constituição mexicana. A relação bilateral se deteriorou ainda mais após acusações da promotoria de Nova York contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outros nove funcionários mexicanos, suspeitos de vínculos com o cartel.

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