Haddad explica por que negou encontros com Daniel Vorcaro após análise de balanços do Banco Master
O ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), revelou nesta terça-feira (21) os motivos que o levaram a recusar encontros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Haddad, a decisão foi tomada após uma análise detalhada da situação financeira do liquidado Banco Master e a recepção de informações preocupantes sobre a instituição no mercado financeiro.
Haddad afirmou que Daniel Vorcaro tentou estabelecer contato através de diversas pessoas, mas nunca por canais oficiais do governo. Essa abordagem indireta, somada às informações negativas sobre o Banco Master, foi determinante para a recusa.
“Vorcaro tentou se aproximar de mim por vários caminhos, mas nunca pelo caminho oficial. Eu já havia analisado o balanço do Banco Master e recebido informações preocupantes do mercado financeiro. Por isso, não o recebi: não tinha o que conversar com ele”, declarou Haddad em entrevista ao canal My News. As declarações surgem em meio a investigações sobre uma suposta rede de influência do ex-banqueiro. Conforme informação divulgada pelo My News.
Tentativas de Contato e Recados Implícitos
O pré-candidato ao governo paulista também mencionou que, posteriormente, os pedidos de reunião com Vorcaro passaram a vir acompanhados de mensagens que sugeriam um agravamento da situação do país caso algo acontecesse com o empresário. Essas insinuações foram vistas por Haddad como uma tentativa de pressão.
“Os pedidos de audiência passaram a trazer recados implícitos de que, se algo acontecesse com ele, o caos se instalaria. Mas o Brasil não pode passar pano nem politizar investigações criminais”, pontuou Haddad, reforçando a importância de não interferir em apurações legais.
Investigações da PF e Autonomia das Instituições
As investigações da Polícia Federal (PF) apontam para uma ampla rede de influência construída por Daniel Vorcaro, que teria envolvido autoridades de diversos poderes, incluindo o Legislativo e o Judiciário. Nomes como os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI), e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, apareceram em apurações ligadas ao empresário.
Haddad aproveitou para negar qualquer tipo de interferência do governo federal no trabalho da PF, garantindo a autonomia da corporação. “É preciso investigar e punir quem errou. Até aqui, a Polícia Federal tem atuado com ampla autonomia no governo Lula: investiga, apura, comprova, processa e prende quando necessário”, afirmou.
Liquidação do Banco Master e Operação Compliance Zero
A situação do Banco Master veio à tona após o Banco Central decretar sua liquidação extrajudicial em novembro de 2025, citando supostas fraudes e descumprimento de normas. No mesmo dia, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar a suspeita de emissão de títulos de crédito falsos, que resultou na primeira prisão de Vorcaro.
Entre os pontos centrais da investigação estão operações envolvendo carteiras de crédito consignado, negociadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). As transações sob escrutínio somam cerca de R$ 12,2 bilhões e contavam com o conhecimento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que também foi preso pela PF.





