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Acordo Nuclear EUA-Arábia Saudita Acende Alerta em Israel: Corrida Armamentista no Horizonte do Oriente Médio?

EUA e Arábia Saudita firmam acordo nuclear histórico, gerando preocupação em Israel

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita anunciaram um acordo de cooperação nuclear para fins civis, um pacto considerado histórico e de longa duração. O Secretário de Energia americano, Chris Wright, e o Ministro de Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram o acordo e um texto separado sobre salvaguardas. O Departamento de Energia dos EUA destacou que os acordos estabelecem a base jurídica para uma parceria multibilionária, promovendo objetivos econômicos e estratégicos, incluindo a não proliferação nuclear.

No entanto, o anúncio gerou imediatas preocupações em Israel, que teme que a iniciativa possa desencadear uma perigosa corrida armamentista na região. A medida também evidencia uma nova dinâmica nas relações dos EUA na região, com Washington traçando um caminho que parece, em parte, independente das prioridades de Tel Aviv. A possibilidade de a Arábia Saudita enriquecer seu próprio combustível nuclear surpreendeu muitos em Israel, país que mantém um programa nuclear militar não declarado.

Fontes do governo americano, que pediram anonimato, indicam que o objetivo é garantir que qualquer enriquecimento nuclear ocorra sob supervisão americana, evitando a transferência de tecnologia sensível para Riad e minimizando o risco de desvio para fins militares. O acordo, com duração prevista de 30 anos e avaliado em dezenas de bilhões de dólares, também visa dar às empresas americanas um papel central no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, excluindo concorrentes da Rússia e China.

Israel vê deterioração de sua influência em Washington

Figuras da oposição israelense e ex-autoridades classificaram o acordo como o mais recente sinal de deterioração da influência de Israel em Washington. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia pressionado por um conflito contra o Irã, posição que, segundo relatos, não era popular nos EUA. O ex-presidente Donald Trump chegou a chamar Netanyahu de “louco” por sua busca agressiva por guerra contra o Hezbollah, aliado iraniano.

O acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita não foi comentado diretamente por Netanyahu. Contudo, o Ministro da Economia de Israel, Nir Barkat, tentou acalmar os ânimos, afirmando que Israel pode lidar com um programa nuclear saudita para fins civis, caso seja para necessidades energéticas pacíficas. Barkat também reiterou que a normalização das relações com a Arábia Saudita “ainda está em pauta” e que Netanyahu e Trump não tomariam medidas que colocassem Tel Aviv em risco.

Preocupações com a proliferação e o monopólio nuclear israelense

Israel detém, há anos, um suposto monopólio sobre armas nucleares na região, embora nunca tenha admitido possuir o armamento. O programa nuclear do Irã, principal rival de Israel, é visto por ambos os países como uma ameaça à segurança nacional. A preocupação agora é que o acordo com a Arábia Saudita possa encorajar outros países, como a Turquia, a desenvolverem seus próprios programas de enriquecimento nuclear, intensificando uma potencial corrida armamentista.

Líderes da oposição israelense, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, alertaram que o enriquecimento de material nuclear em território saudita pode desencadear uma corrida nuclear com consequências desastrosas. Avigdor Liberman, ex-ministro da Defesa, ecoou essa preocupação, afirmando que “todo programa nuclear militar começa com um programa civil” e pediu pressão sobre o Congresso americano para rejeitar o acordo.

Diferenças em relação a acordos anteriores e o futuro da normalização

Um acordo nuclear anterior dos EUA com os Emirados Árabes Unidos impôs inspeções mais rigorosas e não permitiu o enriquecimento de urânio pelo país. O acordo com a Arábia Saudita, no entanto, parece ser mais flexível, podendo permitir o enriquecimento de combustível próprio. Para Israel, a questão crucial reside nas salvaguardas que impedirão o uso das capacidades nucleares sauditas para fins militares.

Michael Herzog, ex-embaixador israelense em Washington, destacou que a falta de vinculação do acordo à normalização das relações com Israel e a incerteza sobre as medidas de proteção são motivos de preocupação. A esperança de uma normalização mais ampla, que incluiria concessões aos palestinos, diminuiu após os ataques de 7 de outubro de 2023 e a subsequente guerra em Gaza, tornando o clima político em Israel hostil a tais concessões.

O analista Michael Koplow observou que um acordo nuclear com os EUA deveria ser uma grande incentivo para a Arábia Saudita estabelecer laços com Israel. Na visão de Tel Aviv, o acordo fechado agora por Trump foi dado “de graça”, sem os benefícios esperados para a segurança e normalização israelense.

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