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Morre Luiz Carlos Barreto, o “Barretão” do Cinema Novo, aos 98 anos: Um Gigante do Audiovisual Brasileiro Que Levou o Brasil ao Oscar

Morre Luiz Carlos Barreto, o “Barretão” do Cinema Novo, aos 98 anos: Um Gigante do Audiovisual Brasileiro Que Levou o Brasil ao Oscar

O cinema brasileiro perdeu um de seus maiores expoentes. Luiz Carlos Barreto, carinhosamente conhecido como “Barretão”, faleceu nesta quarta-feira (22) aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Sua partida encerra uma carreira brilhante e multifacetada, que atravessou décadas e ajudou a moldar a identidade do cinema nacional.

Barretão foi uma figura central no Cinema Novo, movimento que revolucionou a sétima arte no Brasil. Com uma visão à frente de seu tempo, ele não apenas dirigiu e produziu obras marcantes, mas também foi um agente fundamental na transformação da forma como os filmes eram feitos, financiados e distribuídos em território nacional.

Sua atuação foi crucial para o sucesso de filmes que se tornaram marcos culturais e recordistas de bilheteria. Conforme informação divulgada pelo g1, Luiz Carlos Barreto participou de mais de 100 obras, deixando um legado inestimável para a cultura brasileira. A seguir, exploramos a trajetória desse ícone do cinema.

O Início Inesperado e a Paixão Pela Imagem

A jornada de Luiz Carlos Barreto no mundo do cinema teve um encontro inusitado. Ainda jovem, aos 12 anos, no Ceará, ele teve seu primeiro contato com a magia do cinema através da visita de Orson Welles, diretor de “Cidadão Kane”, que filmava um documentário sobre jangadeiros. Esse fascínio inicial o acompanharia por toda a vida.

Antes de se consagrar como um dos grandes produtores do país, Barretão exerceu a fotografia na revista “O Cruzeiro”. Essa experiência foi fundamental para aprimorar seu olhar estético e sua capacidade de contar histórias através das imagens, capturando a essência da realidade brasileira.

Como repórter fotográfico, ele teve a oportunidade de cobrir eventos internacionais e fotografar personalidades célebres, como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe. Essa vivência globalizada ampliou seus horizontes e preparou o terreno para sua futura carreira no cinema.

O Encontro com Glauber Rocha e a Revolução do Cinema Novo

Um encontro decisivo em sua trajetória foi com o cineasta Glauber Rocha, durante as filmagens de “Barravento” na Bahia. Glauber, um dos pilares do Cinema Novo, reconheceu o talento de Barreto e o convidou para fotografar “Vidas Secas” (1963). Essa colaboração foi um marco para o movimento.

Barreto, inicialmente receoso por não se considerar um fotógrafo de cinema, acabou cedendo à insistência de Glauber. “Eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como um personagem que destrói a plantação, que incomoda o homem”, disse Barretão sobre sua visão para a fotografia do filme, uma abordagem que se tornaria característica do Cinema Novo.

Após “Vidas Secas”, vieram outros trabalhos essenciais para o movimento, como “Terra em Transe” (1967), também de Glauber Rocha. Essas obras não apenas consolidaram a estética do Cinema Novo, mas também demonstraram o potencial revolucionário e crítico do cinema brasileiro.

Sucessos de Bilheteria e Reconhecimento Internacional

Apesar de suas raízes no Cinema Novo, foi como produtor que Luiz Carlos Barreto alcançou seus maiores feitos. Sua habilidade em reunir talentos, viabilizar projetos ambiciosos e captar recursos transformou ideias em filmes que marcaram gerações.

O auge de seu sucesso comercial veio com “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), estrelado por Sônia Braga. A obra, produzida por sua esposa Lucy Barreto e dirigida por seu filho Bruno Barreto, tornou-se um fenômeno de bilheteria, ostentando por mais de três décadas o título de filme brasileiro mais visto nos cinemas.

Outro grande êxito foi “Menino do Rio” (1982), que atraiu um vasto público jovem e ajudou a consolidar um novo modelo de produção cinematográfica voltada para essa audiência. A produtora LC Barreto, fundada pela família, foi responsável por mais de 150 filmes.

A capacidade de Barretão em fazer cinema de qualidade e com apelo popular foi coroada com indicações ao Oscar. “O Quatrilho” (1995), dirigido por Fábio Barreto, e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, levaram o Brasil à disputa pelo prêmio máximo do cinema mundial, um feito histórico.

Um Legado Familiar e Apaixonado Pelo Esporte

Luiz Carlos Barreto era casado há 71 anos com a produtora Lucy Barreto, e a paixão pelo cinema se estendeu aos seus três filhos: Bruno, Fábio e Paula, todos atuantes na área. Essa “Família Titanic”, como ele brincava, enfrentou os desafios da indústria com determinação e paixão.

O apelido “Barretão” foi cunhado pelo escritor Nelson Rodrigues, amigo de longa data e companheiro de arquibancadas. Luiz Carlos era um fervoroso torcedor do Flamengo e, na juventude, chegou a ser considerado craque, tendo sido convocado para a seleção que disputaria as Olimpíadas de Londres em 1948, uma oportunidade que, por cortes orçamentários, não se concretizou.

A saúde de Barretão vinha se deteriorando desde 2024, após uma queda durante uma viagem ao Ceará. Ele estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, tratando uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. Seu velório está marcado para esta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, seguido pela cremação no Memorial do Caju.

Luiz Carlos Barreto deixa um legado imensurável, não apenas em sua vasta obra cinematográfica, mas também na inspiração que sua dedicação e visão trouxeram para as novas gerações de cineastas brasileiros. Sua frase “O cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil” ecoa como um testemunho de sua crença no poder transformador da sétima arte.

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