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Andy Burnham, o novo Premier Britânico, recua do discurso de reversão do Brexit e foca em economia e descentralização

Andy Burnham assume o Reino Unido com promessa de pragmatismo e foco na economia, distanciando-se do discurso pró-UE

Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, assume o cargo com um discurso notavelmente diferente daquele que defendia há pouco tempo. Em uma guinada estratégica, ele tem evitado mencionar a possibilidade de reverter o Brexit, priorizando agora pautas como a descentralização, reindustrialização e o alívio no custo de vida para os cidadãos britânicos.

A mudança de tom é perceptível, especialmente em sua antiga base eleitoral, Makerfield, um distrito que votou majoritariamente pela saída da União Europeia. Lá, Burnham abandonou o discurso europeísta para aderir à linha oficial do Partido Trabalhista: respeito ao referendo de 2016 e ausência de propostas de retorno ao mercado único ou à união aduaneira nesta legislatura.

Essa postura pragmática surge em um cenário econômico desafiador para o Reino Unido. O país herdou uma dívida pública de 102,3% do PIB e uma inflação acima da meta. Um estudo das universidades de Stanford, Nottingham e King’s College aponta que a economia britânica está entre 6% e 8% menor do que seria caso o país permanecesse na UE.

A primeira medida de Burnham como primeiro-ministro foi o corte na tributação da energia elétrica, sinalizando o foco em políticas que impactem diretamente o bolso dos cidadãos. A Europa, que já foi tema central em seus discursos, aparece agora de forma secundária, cedendo espaço para as urgências internas.

Sinais de aproximação estratégica com a UE, mas sem reversão do Brexit

Embora a reversão do Brexit esteja fora de pauta imediata, há sinais de que o novo governo busca aprofundar e fortalecer a aliança estratégica com a União Europeia. Ed Miliband, ex-líder trabalhista e defensor do “Remain” em 2016, assumiu o Ministério das Relações Exteriores e prometeu estreitar laços com o bloco.

Parte da estrutura responsável pelas negociações com Bruxelas, antes ligada diretamente ao gabinete do primeiro-ministro, foi transferida para o Ministério das Relações Exteriores. Esses movimentos indicam uma intenção de agilizar o diálogo e a cooperação em áreas de interesse mútuo, como acordos veterinários para facilitar o comércio agroalimentar e a possível entrada do Reino Unido em fundos europeus de rearmamento.

A cúpula entre o Reino Unido e a UE, adiada devido à renúncia do antecessor de Burnham, foi remarcada para o fim do ano. Na pauta, assuntos como um acordo veterinário, conexão entre mercados de carbono e um esquema de mobilidade para jovens, além de discussões sobre a participação britânica em um fundo europeu de rearmamento de 150 bilhões de euros.

Opinião pública favorável à UE, mas sem atores políticos para liderar a reversão

Pesquisas recentes, como as divulgadas pelo European Council on Foreign Relations (ECFR) em junho, indicam uma mudança significativa na opinião pública britânica. Cerca de 75% dos britânicos desejam uma relação mais próxima com a UE, e a readesão plena já é a opção preferida (33%) quando se pergunta sobre o futuro do país.

No entanto, nenhum ator político relevante tem defendido publicamente a reversão do Brexit. A principal entidade empresarial do país, a CBI, alertou que as empresas não desejam “reabrir a batalha do referendo”. Andy Burnham, sem o respaldo de uma eleição nacional direta, não possui o mandato para defender essa pauta.

A União Europeia, por sua vez, tem se mostrado cautelosa. Negociadores europeus, após as oscilações políticas de Londres, passaram a exigir compensações financeiras caso um futuro governo britânico abandone acordos, uma medida apelidada de “cláusula Farage”.

Ucrânia e segurança europeia: motores discretos da reaproximação

A continuidade do apoio à Ucrânia é um ponto de concordância explícita entre Burnham e Miliband, que reafirmaram o compromisso do Reino Unido em seguir “ombro a ombro” com Kiev. A segurança europeia, diante do conflito na Ucrânia e da incerteza sobre o apoio americano, emerge como um fator que impulsiona discretamente a reaproximação entre o Reino Unido e a UE.

O verdadeiro alcance das ambições de Andy Burnham em relação à União Europeia será medido na cúpula agendada para o final do ano. A expectativa é de que as negociações avancem em áreas de interesse comum, mesmo que a reversão do Brexit permaneça fora do horizonte político imediato.

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