Nicarágua Responde ao Brasil: ‘Nossa Democracia, Nossas Eleições’ em Meio a Polêmica sobre Fim de Votações
A chancelaria da Nicarágua emitiu um comunicado nesta quinta-feira (23) em resposta às críticas do governo brasileiro sobre os planos do ditador Daniel Ortega de extinguir as eleições no país centro-americano. A resposta contundente reafirma a soberania nacional nicaraguense.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia expressado preocupação com as declarações de Ortega, destacando a importância de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes como pilares da democracia, um valor ao qual o Brasil se diz profundamente comprometido.
A controvérsia teve início no último domingo (19), quando o líder nicaraguense anunciou o fim das eleições no país, referindo-se a opositores como “partidos políticos criados pelos ianques”. A Assembleia Nacional, controlada por seus aliados, já iniciou análises para alinhar-se a essa orientação presidencial, conforme divulgado pelo portal G1.
Ortega Anuncia Fim das Eleições e Brasil Manifesta Preocupação
A declaração de Daniel Ortega, feita durante uma cerimônia de celebração da Revolução Sandinista, pegou o cenário internacional de surpresa. O ditador, que governa a Nicarágua há duas décadas, afirmou categoricamente: “Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”. Essa fala gerou imediatas reações, incluindo a do governo brasileiro.
Em nota oficial, o Itamaraty ressaltou que “A realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso”. A posição brasileira ecoa preocupações de outras nações sobre o retrocesso democrático na Nicarágua.
Histórico de Tensões Entre Brasil e Nicarágua
A relação entre o Brasil e o regime de Daniel Ortega tem sido marcada por atritos. Embora o presidente Lula tenha, em 2021, aconselhado Ortega a “não abrir mão” da democracia, a aproximação se desfez com o tempo. O regime nicaraguense é alvo de acusações de fraudes eleitorais desde 2008.
Em 2023, o Brasil congelou as atividades de sua embaixada em Manágua após uma tentativa frustrada de diálogo para a libertação de lideranças católicas. No ano seguinte, um novo impasse levou à expulsão do embaixador brasileiro, medida que foi retribuída por Brasília.
Nicarágua Já Respondeu a Outros Países
Não é a primeira vez que o regime de Daniel Ortega responde a críticas internacionais. Anteriormente, o governo nicaraguense respondeu a manifestações de preocupação de países como o Chile, de José Antonio Kast, classificando as declarações como “intervencionistas”.
À Bolívia, a ditadura afirmou que as decisões de cada nação são “próprias, dignas e soberanas”. A retórica da Nicarágua, ao se defender e reafirmar a “soberania nacional”, busca legitimar suas ações internas perante a comunidade internacional, apesar das crescentes denúncias de autoritarismo.





