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ICE intensifica prisões em aeroportos: Vistos vencidos e processos em andamento viram alvo de deportação

ICE amplia fiscalização em aeroportos, visando pessoas com vistos vencidos e processos pendentes

O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, intensificou as operações de imigração em aeroportos, expandindo o escopo de alvos para incluir estrangeiros com vistos vencidos. Essa nova abordagem, que já resultou em prisões de indivíduos em trânsito, inclusive cônjuges de cidadãos americanos, abre um vasto contingente de pessoas agora sujeitas à deportação, mesmo que estejam com processos de regularização em andamento.

Agentes de imigração disfarçados têm abordado pessoas em balcões de check-in e portões de embarque em pelo menos 15 aeroportos nas últimas semanas. As ações, por vezes discretas, outras vezes sob os olhares de passageiros indignados, marcam uma mudança significativa nas táticas de fiscalização.

Análises de documentos e entrevistas com advogados de imigração revelam que o programa, que anteriormente focava em indivíduos com ordens de deportação, agora abrange um número consideravelmente maior de pessoas com vistos expirados. Conforme noticiado pelo The New York Times, essa expansão visa pessoas que, embora em situação de visto vencido, aguardavam extensões ou green cards e possuíam autorização de trabalho.

Mudança de Paradigma na Fiscalização de Imigração

Historicamente, indivíduos com vistos vencidos que mantinham processos de regularização em andamento não eram prioridade para deportação, a menos que tivessem cometido crimes. No entanto, a atual administração considera toda a permanência além do prazo do visto como ilegal, ampliando o alcance da fiscalização. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que o governo está trabalhando para impedir que estrangeiros em situação irregular permaneçam no país, a menos que seja para serem deportados.

O DHS não divulgou o número exato de detenções sob esta nova iniciativa. Contudo, as prisões ocorrem em um momento em que o ICE tem sido pressionado a aumentar o número de detenções em todo o país, com uma meta estabelecida de 2.000 prisões de imigrantes por dia, o dobro do ritmo do início do ano. A rede de fiscalização se tornou mais ampla, visando não apenas criminosos, mas também pessoas com solicitações legítimas pendentes.

Relatos de Casos e Impacto nos Viajantes

Advogados de imigração relatam uma variedade de perfis entre os detidos, incluindo engenheiros aguardando extensão de visto de trabalho, recém-casados com cidadãos americanos e ex-au pairs. Vídeos de abordagens em aeroportos circulam nas redes sociais, mostrando momentos de tensão entre viajantes e agentes. Um caso amplamente divulgado foi o de Chantal Morales Rojas, equatoriana de 27 anos, detida ao embarcar em um voo em Denver, apesar de estar com um processo legal de permanência em andamento.

Outros casos incluem uma mulher ugandense em cadeira de rodas com anemia falciforme e pedido de asilo pendente, e um cidadão australiano que, após uma tentativa de detenção em Las Vegas, foi posteriormente detido em Los Angeles. Advogados de imigração experientes, como Charles Kuck, afirmam nunca ter presenciado uma prática tão abrangente em 38 anos de carreira.

Alerta para Viajantes em Processo de Regularização

Diante da nova realidade, advogados de imigração aconselham cautela. Shannon Shepherd, vice-presidente da seção de Chicago da Associação Americana de Advogados de Imigração, mudou sua orientação para clientes em processo de mudança de status, recomendando que evitem qualquer tipo de viagem doméstica, mesmo com documentos de identidade válidos. A colaboração entre a TSA e o ICE, que começou em maio de 2025, permite o compartilhamento de informações para fins de fiscalização, uma mudança notável em relação às práticas anteriores.

Ghassan Shamieh, advogado de imigração em San Francisco, destaca que a rede de detenção agora é muito mais ampla, atingindo pessoas com processos legais em andamento. A situação de Morales Rojas, que entrou legalmente nos EUA e possuía autorização de trabalho enquanto aguardava análise de seu pedido, exemplifica a complexidade e a controvérsia gerada por essas novas medidas de fiscalização.

O Caso de Chantal Morales Rojas

Chantal Morales Rojas, que ingressou nos EUA legalmente em janeiro de 2023 com um visto J-1, viu seu visto expirar em 4 de janeiro de 2025. Ela havia apresentado um pedido para permanecer no país e possuía autorização de trabalho. Apesar de seu processo legal estar em andamento e com conhecimento do governo, ela foi detida sob a alegação de ter excedido o prazo de seu visto. Um juiz concedeu sua liberação mediante fiança de US$ 3.000, e sua advogada entrou com uma ação contestando a detenção.

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