Ucrânia expande guerra assimétrica com ataques a centros logísticos da Wildberries, afetando a economia russa e a confiança pública.
Em meio a uma escassez de mísseis para defesa antiaérea, a Ucrânia intensificou sua estratégia de guerra assimétrica, mirando agora a gigante russa do comércio online, a Wildberries. Ataques de drones atingiram centros logísticos da empresa em diversas regiões da Rússia, gerando prejuízos significativos e um novo desafio para o governo de Vladimir Putin.
A expansão dessa tática de longo alcance visa não apenas causar danos materiais, mas também minar a credibilidade do presidente russo e gerar instabilidade econômica. A Wildberries, que detém uma fatia considerável do mercado de e-commerce na Rússia, torna-se um alvo estratégico, afetando diretamente o cotidiano e o poder de compra da classe média urbana.
A alegação ucraniana é que a Wildberries poderia estar envolvida na distribuição de componentes para drones russos. Independentemente da veracidade dessa acusação, o impacto político e econômico é inegável, com o Kremlin enfrentando a pressão de uma população cada vez mais preocupada com os efeitos da guerra em sua vida cotidiana. As informações são de reportagem divulgada nesta quarta-feira (29).
Wildberries em Chamas e Prejuízos Bilionários
Um centro logístico da Wildberries em Riazan, a 215 km de Moscou, foi o mais recente alvo de ataques de drones. O incidente, que ocorreu nesta quarta-feira (29), resultou em seis funcionários feridos e um incêndio de grandes proporções na unidade. Desde o fim de semana retrasado, pelo menos 11 centros da empresa já foram atingidos.
A direção da Wildberries estima que cerca de 10% de sua capacidade de distribuição foi perdida. Os prejuízos financeiros são estimados entre o equivalente a R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões em produtos, sem contar os danos às instalações. Diante da situação, a empresa estaria buscando galpões no Cazaquistão para manter suas operações.
Reações e Impacto na Classe Média Russa
O maior banco russo, o Sberbank, admitiu considerar o aumento de provisões contra calotes devido à preocupação com a saúde financeira da Wildberries. O executivo Taras Skvortsov mencionou que 300 empresas já estão em processo de ajuste de dívidas.
A questão central para Vladimir Putin reside na classe média urbana, que utiliza intensamente os serviços da Wildberries, dona de 45% do e-commerce russo. O Kremlin informou que não poderá compensar os clientes da empresa, pois o estatuto da Wildberries foi alterado no início do mês, isentando-a de ressarcimento em caso de ataques externos.
A fundadora da empresa, Tatiana Kim, declarou que não haverá fundos para atender a todos que perderam dinheiro. Um jornalista de Moscou, que pediu para não ter o sobrenome divulgado, relatou ter perdido o equivalente a R$ 300 em roupas para sua filha recém-nascida, destruídas em um ataque ao depósito de Elektrostal. Ele expressou frustração com a falta de pagamento pela empresa e inação governamental.
Crescente Irritação e Queda na Popularidade de Putin
A campanha ucraniana contra refinarias russas já gera irritação pela formação de filas em postos de combustível e aumento de preços. Embora medidas como o veto à exportação de diesel e gasolina tenham amenizado a crise, os ataques persistem.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a Wildberries não tem obrigação legal de ressarcir clientes, mas elogiou a iniciativa da empresa. O Banco Central russo, por sua vez, emitiu uma ordem para que bancos evitem pedidos de falência de empresas afetadas pela guerra, priorizando a reestruturação de dívidas e ampliação de linhas de crédito.
O descontentamento popular se reflete em pesquisas de opinião. O Centro Levada, principal instituto independente russo, aponta que tanto a aprovação de Putin quanto a avaliação do governo atingiram o pior momento desde o início da invasão da Ucrânia. A aprovação presidencial caiu para 74%, o menor índice desde fevereiro de 2022, e a aprovação do governo está em 52%.
Embora esses números possam parecer altos para padrões ocidentais, representam quedas consideráveis em relação ao pico de aprovação de Putin, que chegou a flutuar entre 80% e 90% durante o conflito. Na política russa, a popularidade é um ativo central de legitimidade para o presidente.





