EUA e Arábia Saudita lançam ataques coordenados contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque, elevando tensões no Oriente Médio.
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira (29). Esta ação marca os primeiros bombardeios americanos na região desde que o presidente Donald Trump suspendeu, na semana passada, a ofensiva aérea dos EUA contra o Irã, intensificando o conflito.
As Forças de Mobilização Popular do Iraque, aliadas ao Irã, reportaram que pelo menos 20 de seus combatentes morreram e 32 ficaram feridos nos bombardeios. Em resposta, o Irã afirmou ter atacado bases americanas na Jordânia e embarcações no estratégico Estreito de Ormuz, provocando a promessa de retaliação por parte de Trump.
“Vamos atingi-los com força”, declarou Trump à Fox News, embora não descarte a possibilidade de futuras negociações com o Irã. Segundo a emissora, os ataques foram coordenados com as autoridades de Bagdá. Conforme informação divulgada pela agência AFP, cinco iranianos, que seriam conselheiros do grupo, foram mortos no ataque.
Ações em Retaliação a Ataques com Drones
Washington e Riad declararam que os ataques conjuntos foram uma resposta direta a ataques com drones, originados do território iraquiano, que visaram instalações petrolíferas sauditas. A Arábia Saudita informou na terça-feira (28) que suas defesas aéreas destruíram vários drones direcionados a suas instalações de petróleo. Milícias ligadas ao Irã teriam lançado esses ataques a partir do Iraque, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Turki al-Maliki.
Mais tarde, o Comando Central dos EUA e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmaram que ambos os países atingiram múltiplos locais no leste do Iraque. Segundo eles, esses locais eram utilizados pelo Irã para direcionar ataques com drones. O Ministério da Defesa saudita ressaltou que não busca uma escalada, mas que responderá a qualquer “agressão”.
Envolvimento Saudita e Nova Frente de Conflito
Esta foi a primeira vez, durante a guerra, que a Arábia Saudita anunciou publicamente sua participação em ataques ao lado dos Estados Unidos. Essa colaboração pode expandir o conflito, envolvendo a Arábia Saudita, país de maioria muçulmana sunita, em confrontos diretos contra grupos xiitas aliados do Irã, abrindo uma nova frente de batalha.
Homens iraquianos foram vistos entoando slogans sectários xiitas e gritando “Morte à América!” enquanto transportavam corpos de combatentes mortos de um hospital em Mossul, no norte do país, segundo imagens exibidas pela emissora iraquiana Al-Ahad. Jornalistas da agência francesa AFP relataram ter visto caixões cobertos com a bandeira do Irã durante uma cerimônia fúnebre organizada pelo grupo.
Irã Responde e Estreito de Ormuz Volta a Ser Ponto Crítico
A Guarda Revolucionária do Irã informou que suas forças atacaram três petroleiros no Estreito de Ormuz, forçando-os a parar após ignorarem avisos por tomarem uma “rota insegura e ilegal”. A Marinha iraniana declarou que mantém controle total sobre a via navegável estratégica e alertou que a “interferência militar ilegal dos EUA” e instruções a embarcações na região não ficariam sem resposta.
A ação iraniana ocorreu poucas horas depois de os militares americanos informarem que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa do Irã contra tropas dos EUA na região. Essa escalada de tensões ocorre em um momento delicado, com a retomada dos combates e sem perspectiva de um fim rápido para a guerra iniciada em fevereiro, levando os preços do petróleo a subirem acentuadamente.
Proposta de Omã para Gerir o Estreito de Ormuz Rejeitada
Em uma tentativa de resolver o conflito em torno do Estreito de Ormuz, Omã apresentou ao Irã um plano apoiado por outros estados do Golfo para administrar a via navegável. A proposta incluiria a cobrança de taxas voluntárias de navios, buscando evitar o controle exclusivo iraniano. O plano seria semelhante ao existente no Estreito de Malaca, na Ásia, onde países pedem contribuições voluntárias para financiar navegação e operações de segurança.
No entanto, o Irã rejeitou a proposta de Omã, representando um revés diplomático. O estreito de Ormuz é vital para o comércio global, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial antes da guerra.





