João Bosco revisita obra magistral em “Amigos novos e antigos – Parte I”, um sopro de novidade aos 80 anos
Aos 80 anos, João Bosco celebra sua trajetória musical com o lançamento de “Amigos novos e antigos – Parte I”, um álbum que revisita clássicos de sua carreira com a participação de renomados artistas e arranjos inovadores. O projeto, idealizado em parceria com a filha Julia Bosco, traz um frescor surpreendente às canções, provando que a obra do músico mineiro continua viva e pulsante.
O álbum se destaca por ser o primeiro de João Bosco focado em duetos, reunindo um time de peso que inclui nomes como Anitta, Chico Buarque, Ivete Sangalo, e a dupla de Mart’nália e Tiago Iorc. Essa colaboração com artistas de diferentes gerações confere uma nova perspectiva às composições, afastando o risco de um simples repeteco e agregando valor à celebração de seus 80 anos, completados em 13 de julho.
A produção musical e os arranjos ficaram a cargo do trombonista Rafael Rocha, que soube dar um toque contemporâneo às músicas. Os arranjos de metais e cordas criados por Rocha, um expoente da nova geração de músicos brasileiros, injetam vitalidade nas canções, como já pode ser conferido no EP “Amigos novos e antigos – Parte I”, lançado em 31 de julho, com o álbum completo previsto para 25 de setembro. Conforme informação divulgada, essa primeira parte oferece um gostinho do que está por vir, mostrando a força da obra de João Bosco.
“Kid Cavaquinho” abre o EP com a energia de Mart’nália e os sopros de Rafael Rocha
O EP inicia com “Kid Cavaquinho”, um samba emblemático de João Bosco e Aldir Blanc, originalmente lançado em 1974. Na nova versão, a canção ganha vida com a interpretação vibrante de Mart’nália, que divide os vocais com Bosco, e os sopros marcantes de Rafael Rocha, que conduzem o samba com uma elegância que remete aos salões de gafieira. A escolha de Mart’nália, conhecida por sua sagacidade e ginga, foi perfeita para dar o tom astuto que o samba exige.
“Nação” ganha contornos expressivos com o bandolim de Hamilton de Holanda
Em seguida, o álbum apresenta “Nação”, samba de 1982 de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio. A regravação traz o virtuosismo do bandolim de 10 cordas de Hamilton de Holanda, que confere à música um contorno ágil e expressivo, retratando a complexidade do Brasil abordado na letra. A voz de Bosco só surge após os primeiros minutos da faixa, permitindo que a melodia e os arranjos construam a atmosfera da canção antes da entrada do vocalista.
“Boca de Sapo” e “Siri Recheado” trazem a essência africana e o tempero do pagode
A faixa “Boca de Sapo”, de 1979, surge como uma reinterpretação solo de Bosco, evocando a força da África em sua voz, em um diálogo com a gravação original ao lado de Clementina de Jesus. Já “Siri recheado e o cacete”, de 1980, ganha o tempero inconfundível de Zeca Pagodinho. A parceria é considerada sagaz, pois a crônica de Aldir Blanc no samba dialoga diretamente com o universo do pagode carioca, do qual Zeca Pagodinho é um dos ícones, com os sopros de Rafael Rocha adicionando a pimenta à iguaria musical.
“Perfeição” surpreende com a bossa de Tiago Iorc e “Casa de Marimbondo” com os teclados de Cesar Camargo Mariano
A canção “Perfeição”, de 2009, surpreende ao apresentar um Bosco com a bossa de João Gilberto, embalado por cordas que complementam o clima ameno da composição. Tiago Iorc se encaixa naturalmente nessa atmosfera, proporcionando um dos momentos mais inesperados e belos do EP. Para fechar o lançamento, “Casa de Marimbondo”, de 1975, é reconstruída com os teclados virtuosos de Cesar Camargo Mariano, que, assim como em “Nação”, assume o protagonismo antes da entrada da voz de Bosco, mostrando a versatilidade e a riqueza sonora do projeto.




