Falsos corretores de imóveis: como fugir de golpes que dobram em São Paulo e causam prejuízos milionários
O mercado imobiliário em São Paulo tem sido palco de um aumento alarmante nos golpes aplicados por falsos corretores. Somente entre janeiro e julho deste ano, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) registrou quase 2 mil autuações por exercício ilegal da profissão, um número que acende um alerta vermelho para quem busca comprar ou alugar um imóvel.
Essas autuações, realizadas durante fiscalizações em plantões de vendas e imobiliárias, revelam uma realidade preocupante: muitos criminosos atuam sem qualquer registro profissional, aproveitando-se da boa-fé dos consumidores. Embora nem toda autuação resulte em crime, uma parcela significativa desses casos envolve fraudes que podem levar a perdas financeiras devastadoras.
Para agravar o cenário, as denúncias espontâneas de consumidores e corretores sobre irregularidades cresceram 29% entre 2020 e 2025, indicando que a atuação do conselho identifica um volume de problemas muito maior do que aquele que chega por meio de relatos. Conforme informação divulgada pelo Creci-SP, a fiscalização direta tem sido mais eficaz em identificar a atuação de falsos corretores do que as denúncias isoladas.
Golpistas usam anúncios falsos e identidade de profissionais para enganar vítimas
Uma das táticas mais comuns dos falsos corretores é a divulgação de anúncios de imóveis com preços muito abaixo do valor de mercado. Essa estratégia visa atrair vítimas desavisadas, que, seduzidas pela aparente oportunidade, acabam caindo em armadilhas. O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, alerta que esses anúncios, frequentemente publicados em redes sociais e plataformas digitais, são a principal porta de entrada para os golpes.
Após o primeiro contato, a pressão para fechar o negócio rapidamente é uma tática recorrente. Golpistas solicitam depósitos antecipados para reserva, cobram taxas inexistentes ou garantem negociações que, na realidade, não existem. Em muitos casos, o imóvel anunciado sequer está disponível ou pertence a terceiros que desconhecem a fraude. Para aumentar a credibilidade, criminosos chegam a usar a identidade de corretores legítimos, com números de registro profissional ativos, transmitindo uma falsa sensação de segurança.
Casos recentes em São Paulo ilustram a sofisticação dessas fraudes. Um exemplo envolveu a clonagem de um anúncio real de locação, onde criminosos se passavam por uma corretora com registro ativo. Após visitar o imóvel e receber um contrato digital, a vítima realizou uma transferência de R$ 8 mil e só descobriu o golpe ao contatar a imobiliária responsável pelo anúncio original. Em outra situação, um homem é investigado por vender o mesmo imóvel para diferentes compradores, utilizando documentos falsos e desaparecendo após receber o dinheiro, o que resultou na perda de R$ 124 mil para uma das vítimas.
Como se proteger: a importância da consulta à matrícula do imóvel e ao Creci
Para evitar cair em golpes, a verificação da autenticidade do corretor e do próprio imóvel é fundamental. O Creci-SP oferece em seu site a opção de consulta pública para verificar se o profissional possui registro ativo. Essa é uma medida simples e gratuita que pode prevenir grandes prejuízos.
Além disso, a consulta à matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis ou através da plataforma RI Digital é uma ferramenta poderosa. Esse documento funciona como um histórico oficial do bem e permite verificar quem é o verdadeiro proprietário, além de identificar a existência de hipotecas, penhoras ou outras restrições. A diretora de Comunicação do Operador Nacional do Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), Ana Cristina de Souza Maia, reforça a importância dessa checagem: “O caminho mais seguro é sempre consultar a matrícula do imóvel”.
A incompatibilidade entre o nome do vendedor e o proprietário registrado na matrícula é um forte sinal de alerta. O mesmo vale para negociações conduzidas com urgência excessiva, preços muito abaixo do mercado ou documentos com informações divergentes. A propriedade de um imóvel no Brasil só é transferida com o registro no Cartório de Registro de Imóveis, e não apenas com a assinatura de contratos.
O que fazer em caso de suspeita ou golpe já consumado
Qualquer pessoa que suspeite de irregularidades pode comunicar ao Creci-SP através do site do conselho, inclusive de forma anônima. Para casos de prejuízo financeiro, é necessário registrar uma denúncia formal com identificação. Se a irregularidade for confirmada, o caso pode ser encaminhado às autoridades policiais e ao Ministério Público.
Caso a fraude já tenha ocorrido, a rapidez é essencial. Reúna todas as provas da negociação, como comprovantes de pagamento, contratos, conversas e anúncios, e registre imediatamente um boletim de ocorrência. Se o pagamento foi feito por Pix, comunique o banco o quanto antes para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e aumentar as chances de recuperar o valor. Denuncie o anúncio na plataforma onde foi divulgado.
Plataformas de anúncios também podem ser responsabilizadas em casos de falha de segurança ou demora em retirar conteúdo fraudulento após denúncia. Para evitar ser vítima, desconfie de ofertas muito vantajosas, evite negociações exclusivas por aplicativos de mensagem, exija toda a documentação do imóvel e visite o local antes de qualquer transferência de valores.





