Senador Democrata dos EUA critica tarifas e falas de Trump sobre eleições, afirmando que “Brasil é dos brasileiros”.
O senador democrata Tim Kaine, figura proeminente na política externa dos EUA para a América Latina, fez fortes declarações sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos. Kaine critica abertamente a política comercial e as declarações do presidente Donald Trump em relação ao Brasil, defendendo a soberania brasileira nas suas escolhas democráticas.
As falas do senador surgem em um contexto de tensões comerciais e preocupações com a possível interferência dos EUA nas eleições brasileiras de 2026. Kaine argumenta que as ações de Trump são prejudiciais e ilógicas, afetando tanto consumidores americanos quanto parceiros comerciais.
Em entrevista à Folha, Tim Kaine afirmou que “o Brasil é dos brasileiros” e que o país deve ter autonomia para decidir seus rumos eleitorais. Ele aponta que Trump tem um “favorito muito claro” na disputa brasileira e faz “tudo o que pode” para demonstrar essa preferência, o que considera inadequado. Conforme divulgado pela Folha, Kaine ressalta que, se os EUA não querem interferência em suas eleições, também não deveriam tentar influenciar as de outros países.
Tarifas “ilógicas” e “potencialmente corruptas”
Tim Kaine classificou as tarifas impostas por Trump ao Brasil como “completamente ilógicas” e sugeriu que podem ter sido motivadas por “razões potencialmente até corruptas”. Ele explica que essas tarifas prejudicam consumidores e empresas americanas, além de afastar o Brasil da órbita comercial dos EUA, aproximando-o da China.
O senador lamenta que Trump tenha recorrido a um novo dispositivo legal, a seção 301, para restabelecer as sobretaxas após a derrubada das tarifas baseadas na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) pela Suprema Corte. Essa nova base jurídica, segundo Kaine, reduz significativamente a capacidade do Congresso de contestar as medidas.
“Nunca existiu uma guerra comercial unilateral. Se você impõe tarifas, o outro país sempre responde com tarifas recíprocas. Isso gera um peso adicional e, normalmente, prejudica as companhias americanas que exportam para o Brasil”, afirmou o senador, destacando o prejuízo para as empresas americanas.
Preocupação com interferência eleitoral
Kaine expressou que o Brasil tem uma “razão legítima” para desconfiar de tentativas de influência dos EUA em suas eleições. Ele citou como exemplo a imposição de tarifas com base na IEEPA, que, segundo ele, foi fundamentada no fato de o Brasil estar processando o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que não representa uma emergência nacional para os EUA.
“Quando se olha isso, eu consigo entender por que o Brasil ficou preocupado que pessoas enviadas ao país pudessem ter alguma intenção inadequada”, declarou Kaine, referindo-se à negativa de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano.
O senador considera inadequado que Trump “tem um favorito muito claro” e faça “tudo o que pode” para demonstrar essa preferência. Ele reforça a ideia de que “o Brasil é dos brasileiros” e que o país deve ter a liberdade de fazer suas próprias escolhas eleitorais.
Nomeação de Embaixador e Relações Bilaterais
Sobre a indicação de Daniel Perez para novo embaixador dos EUA no Brasil, Kaine votou a favor na Comissão de Relações Exteriores. Ele explicou que, embora não concorde com a política externa do governo Trump, é preferível ter um embaixador confirmado em Brasília do que o posto permanecer vago.
“Minha visão geral é a seguinte: quando um presidente é eleito, ele precisa ser capaz de montar sua equipe. E, desde que eu considere que alguém seja uma pessoa responsável, mesmo que tenha uma orientação política diferente da minha, isso pesa a favor”, disse Kaine.
No entanto, ele ponderou que sua aprovação na comissão não representa um apoio à política do governo Trump, e que pode votar contra o pacote de nomeações no plenário por incluir outros indicados que ele não apoia.
Cooperação na Amazônia
Kaine também mencionou sua legislação voltada para a Amazônia, com o objetivo de torná-la mais segura e oferecer aos EUA mais instrumentos para auxiliar o Brasil. Ele acredita que a preservação da floresta tropical é de interesse global e pode ser um ponto de cooperação internacional.
“Se pudermos ser úteis nesse esforço, isso seria excelente”, afirmou o senador, destacando a importância da proteção ambiental e da segurança na região, sempre respeitando a soberania brasileira.





