Ancine Investiga Gravações Irregulares de “Dark Horse”, Cinebiografia de Bolsonaro, no Brasil
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) iniciou um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia “Dark Horse”, focada na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação se dá devido a supostas irregularidades na realização das filmagens em território brasileiro.
Segundo informações divulgadas pelo g1, a Ancine recebeu uma denúncia indicando a produção de uma obra audiovisual estrangeira no Brasil sem a devida comunicação prévia à agência. Essa falta de aviso é considerada uma infração às normas vigentes para produções internacionais.
A agência informou ter tentado contato com a Go Up Entertainment em duas ocasiões para obter esclarecimentos, mas as tentativas foram frustradas. Diante disso, um auto de infração foi aberto para apurar os fatos, e a produtora terá a oportunidade de apresentar sua defesa.
O Que Diz a Ancine Sobre o Caso “Dark Horse”
Em nota oficial, a Ancine detalhou que, para obras estrangeiras filmadas no Brasil, a comunicação prévia à agência é obrigatória. “Situação que não ocorreu no caso do filme ‘Dark Horse'”, afirmou o órgão regulador. A agência ressalta que o processo administrativo visa apurar os fatos e que, caso sejam identificadas irregularidades, as medidas legais cabíveis serão tomadas.
A Ancine esclarece que, por se tratar de um processo em curso, não pode antecipar conclusões sobre o mérito. Os resultados da apuração serão divulgados publicamente após a conclusão, e a agência reforça seu compromisso com a transparência e a regularidade do setor audiovisual brasileiro.
“Dark Horse”: O Filme e Suas Controvérsias
“Dark Horse” é uma cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O papel principal é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel, conhecido por seu trabalho em “A Paixão de Cristo” e “Som da Liberdade”. A direção é de Cyrus Nowrasteh, que já trabalhou em produções para TV e cinema.
O roteiro foi escrito por Cyrus Nowrasteh e Mark Nowrasteh, com argumento de Mário Frias, ex-secretário da Cultura durante o governo Bolsonaro. O elenco conta ainda com nomes como Esai Morales e Lynn Collins. Há informações desencontradas sobre a data de lançamento do filme, com o ator Jim Caviezel mencionando setembro de 2026, enquanto reportagens indicam que os cineastas ainda buscam vender o projeto.
Financiamento e Conexões Políticas
O financiamento da cinebiografia “Dark Horse” também tem sido objeto de atenção. O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso sob acusação de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras, teria auxiliado no financiamento do filme. Segundo reportagens, as negociações envolveram contatos diretos com o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro.
Mensagens e áudios trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vieram à tona, indicando uma pressão por parte do senador para que os pagamentos fossem realizados. A Polícia Federal estima que o esquema de fraudes financeiras comandado por Vorcaro possa ter movimentado até R$ 12 bilhões.
A Importância da Comunicação com a Ancine
A regulamentação da Ancine visa garantir a organização e a transparência das produções audiovisuais realizadas no Brasil, especialmente aquelas com participação estrangeira. A comunicação prévia permite que a agência acompanhe as filmagens, verifique o cumprimento das leis trabalhistas e fiscais, e assegure que as produções contribuam de forma positiva para o setor cultural do país.
A ausência dessa comunicação, como apontado pela Ancine no caso de “Dark Horse”, pode gerar uma série de complicações, desde sanções administrativas até a impossibilidade de obter certificações e incentivos fiscais importantes para a indústria cinematográfica. A investigação em andamento definirá as consequências para a produtora Go Up Entertainment.




