Guerra na Ucrânia: Apoio à invasão russa atinge menor patamar desde o início do conflito
Os recentes ataques da Ucrânia contra o sistema energético e logístico da Rússia parecem ter impactado significativamente a opinião pública russa. Pela primeira vez desde o início da invasão em 2022, o apoio à guerra lançada por Vladimir Putin atingiu seu menor nível, conforme dados divulgados pelo Centro Levada, o principal instituto de pesquisa independente da Rússia.
A pesquisa, realizada entre os dias 21 e 28 de julho, ouviu 1.612 pessoas em 137 cidades russas e aponta que apenas 66% dos entrevistados apoiam as ações militares na Ucrânia. Este número representa uma queda considerável em relação a meses anteriores, quando o apoio chegou a bater em 80%.
Esses resultados, divulgados nesta semana, refletem um crescente descontentamento e preocupação entre a população russa, que começa a sentir os efeitos diretos do conflito em seu próprio território, além de problemas econômicos e logísticos crescentes. Os dados são do Centro Levada, que sofre sanções do Kremlin.
Crescente impacto dos ataques ucranianos em solo russo
Desde que o presidente ucraniano Volodimir Zelenski anunciou a intenção de levar a guerra para o território russo, com o uso de mísseis de longo alcance e drones, as imagens de ataques em solo russo tornaram-se mais frequentes. Refinarias de petróleo em chamas, navios atacados no Mar Negro e depósitos de grandes empresas, como o da gigante do comércio online Wildberries, têm sido alvos frequentes.
Essa nova fase da guerra trouxe o conflito para mais perto dos russos, gerando um impacto humano e psicológico. Em julho, o número de civis mortos na guerra chegou a 21, o maior desde o início do conflito, com dois russos entre as vítimas, segundo informações divulgadas sobre a guerra.
Crise de combustível e preocupações econômicas dominam o debate
As consequências da guerra também se manifestam na economia russa, com destaque para a crise de combustível. Filas em postos de gasolina e o aumento expressivo nos preços se tornaram comuns em cidades como Moscou. O litro da gasolina AI-95, por exemplo, saltou de 70 rublos para quase 95 rublos em algumas redes privadas em junho.
Embora o governo tenha implementado medidas para estabilizar os preços, a escassez ainda é uma realidade. Segundo a pesquisa do Levada, 13% dos russos citaram a crise do combustível como a principal questão dos últimos meses. Esse tema só perde para os próprios ataques, mencionados por 17% dos entrevistados.
Aprovação de Putin e percepção sobre o sucesso da guerra em queda
A crise atual também arranhou a imagem do presidente Vladimir Putin, embora seu sistema de poder permaneça estável. A aprovação do presidente, que já foi de 80% a 90%, caiu para 74% em julho. Essa marca, embora ainda alta em comparação internacional, representa uma queda significativa.
Além disso, a percepção sobre o sucesso da guerra também diminuiu. Apenas 50% dos russos acreditam que a operação militar está sendo bem-sucedida, um índice 19 pontos menor que o registrado há um ano. Em contrapartida, 28% dos entrevistados consideram a guerra um fracasso, um aumento de 11 pontos no mesmo período.
Desejo por negociações, mas sem concessões
Apesar da queda no apoio e das crescentes preocupações, a narrativa oficial sobre a culpa pelo conflito ainda encontra eco entre os russos. 32% culpam a União Europeia, 20% apontam Kiev e 19% os Estados Unidos pela guerra, enquanto apenas 10% citam a própria Rússia.
No entanto, uma maioria significativa, 62% dos entrevistados, defende a necessidade de negociações de paz. Por outro lado, 28% preferem a intensificação da guerra em busca da vitória. Uma questão que une a maioria, 56%, é a rejeição a concessões aos ucranianos, com um quarto dos ouvidos concordando com essa posição.





