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Governo Trump busca “Delcy Rodríguez cubana” para liderar Cuba e intensifica pressão contra Raúl Castro

Governo Trump busca “Delcy Rodríguez cubana” para liderar Cuba e intensifica pressão contra Raúl Castro

O governo Donald Trump está ativamente procurando por uma autoridade cubana, em serviço ou aposentada, que possa ser persuadida a assumir o poder em Havana. Essa busca ocorre enquanto os Estados Unidos intensificam sua campanha de pressão contra a ilha, segundo fontes em Washington.

O plano se aproxima mais de uma alteração do regime do que de uma mudança completa de regime. A estratégia visa identificar um perfil semelhante ao de Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro.

Autoridades americanas viam Rodríguez como uma figura pragmática, capaz de transitar para o poder sem grandes sobressaltos e disposta a cooperar com os EUA. Alguns membros do governo acreditam ser possível encontrar uma liderança similar em Cuba.

Inteligência dos EUA compara Cuba ao Irã, dificultando plano de alternância de poder

No entanto, as agências de inteligência dos EUA avaliaram que Cuba se assemelha mais ao Irã do que à Venezuela. Essa percepção, segundo pessoas informadas sobre os relatórios de inteligência, indica que há poucas figuras pragmáticas em condições de assumir o poder caso haja uma ação americana contra Raúl Castro ou a atual liderança cubana.

As autoridades às margens do poder em Cuba, assim como suas equivalentes iranianas, representam facções mais linha-dura. Essa constatação dificulta a estratégia americana de encontrar um interlocutor para negociações.

O governo Trump tem oscilado entre a intenção de trabalhar com o regime comunista de Cuba e a elaboração de planos para derrubá-lo. Nas últimas semanas, autoridades americanas apresentaram uma lista de exigências aos líderes cubanos, oferecendo incentivos em troca de avanços.

Exigências americanas e resistência cubana marcam impasse diplomático

O governo Trump deseja que Cuba liberalize sua economia, abra espaço para empresas americanas, compre petróleo dos EUA e expulse agentes de inteligência russos e chineses. Poucos detalhes são conhecidos sobre os incentivos oferecidos por Washington, mas alguns envolvem mais ajuda humanitária e o abrandamento de sanções.

O regime cubano, contudo, não parece disposto a fazer tais concessões no momento. Isso confere urgência aos esforços para identificar lideranças alternativas. Embora Cuba tenha anunciado mudanças econômicas permitindo maior participação privada, as medidas parecem ter ficado aquém das exigências americanas.

O regime cubano não respondeu a pedidos de comentário sobre o assunto. A Casa Branca também se recusou a comentar, mas uma autoridade afirmou que, embora os EUA estejam prontos para um novo capítulo com Cuba, o regime em Havana impede um futuro melhor.

Figuras potenciais e a estratégia de pressão contra o regime de Raúl Castro

Diante da escassez de figuras pragmáticas, não está claro quem a Casa Branca poderia preferir como liderança alternativa. O regime cubano parece apoiar Oscar Pérez-Oliva Fraga, sobrinho-bisneto de Fidel Castro, que tem aparecido mais na mídia estatal.

No entanto, Pérez-Oliva Fraga seria quase certamente inaceitável para os EUA. Outro parente de Fidel, Raúl G. Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e conhecido como “Raulito”, poderia ser uma opção, embora nunca tenha ocupado um cargo público. O atual ministro do Interior, Lázaro Alberto Álvarez Casas, também pode ser aceitável para as autoridades americanas.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com Rodríguez Castro e Álvarez Casas em Cuba, sinalizando uma força-tarefa secreta contra a ilha, indicando uma campanha de pressão mais coordenada.

Plano de mudança de regime e a comparação com a operação no Irã e Venezuela

Autoridades americanas e israelenses cogitaram um plano de mudança de regime para o Irã, inspirado no modelo venezuelano. A ideia era encontrar uma liderança disposta a trabalhar com os EUA após um ataque direcionado ao regime teocrático. No entanto, algumas figuras iranianas pragmáticas foram mortas inadvertidamente nos ataques iniciais.

Um plano israelense para levar Mahmoud Ahmadinejad ao poder no Irã também foi considerado, mas o ex-presidente iraniano se desencantou com a iniciativa. Em retrospecto, a estratégia de mudança de regime no Irã pareceu menos planejada do que a operação para capturar Maduro na Venezuela.

Washington impôs um bloqueio total a Cuba, levando a ilha a uma crise com suprimentos de combustível quase esgotados. Não está claro até onde o governo Trump iria para forçar uma mudança de liderança. A acusação formal contra Raúl Castro pelo Departamento de Justiça é uma medida similar à utilizada contra Maduro.

Contudo, a remoção de Maduro levou Rodríguez ao poder, enquanto Raúl Castro, com 95 anos e sem cargo oficial, não provocaria uma troca de liderança imediata apenas por sua captura. Cuba adotou medidas defensivas para dificultar uma incursão americana destinada a capturar ou matar Raúl ou o atual presidente, Miguel Díaz-Canel.

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