Simone Brilha em “Que Mulher é Essa?”, Show que Une Gerações com Toque Inovador de Ana Frango Elétrico
Aos 76 anos, Simone demonstra vitalidade e ousadia no espetáculo “Que Mulher é Essa?”. O show, que estreou com sucesso no Vivo Rio, marca um reencontro artístico com Ana Frango Elétrico, cujos arranjos e direção musical injetam um frescor revigorante na trajetória da cantora, iniciada em 1973.
Desde que se desvencilhou das amarras comerciais dos anos 80 e 90, Simone tem buscado renovação. O álbum “Seda Pura” (2001) foi um marco inicial, mas é em “Que Mulher é Essa?” que o frescor e o potencial de inovação se manifestam de forma mais evidente, consolidando-se como o melhor show solo da cantora no século XXI.
A colaboração com Ana Frango Elétrico, artista que se destaca na cena alternativa desde 2019, é a faísca criativa deste espetáculo. A direção musical de Ana, aliada à direção de Ronaldo Fraga, que assina o elegante figurino, e à cenografia e luz de Mari Pitta, permite que Simone seja protagonista em sua plenitude, conforme divulgado na crítica do show.
A Força dos Arranjos e do Roteiro Inovador
Os arranjos vibrantes de Ana Frango Elétrico dão o tom para um roteiro cuidadosamente construído. Assinado por Simone, Fraga e Ana, o espetáculo harmoniza canções inéditas com clássicos do repertório da cantora, como “Face a Face”, “Jura Secreta” e a emocionante “Yolanda”, cantada em espanhol. Essas músicas são essenciais para manter a conexão com o público fiel, ao mesmo tempo em que introduzem novidades.
O título “Que Mulher é Essa?” já anuncia o mote do show: a abordagem de questões femininas. Simone, que sempre explorou essa temática com músicas como “Mulher, e daí?” e o álbum “Feminino”, agora as reorganiza sob a perspectiva de uma mulher de 76 anos, plena e com voz ativa. O rock “Se Você Pensa”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, abre o show, ganhando um novo sentido na voz de Simone, que assume o comando com força e vitalidade.
Renovação com Toques de Nostalgia e Modernidade
A energia roqueira também embala “Petúnia Resedá”, de Gonzaguinha, e “Velha Roupa Colorida”, de Belchior, canção que celebra a chegada do novo. A banda, formada por Chico Lira, Filipe Coimbra, Giordano Bruno e Vitor Cabral, garante a vibe jovial e elétrica que permeia o espetáculo.
O samba-canção “Morena”, de Dalto, que abriu o primeiro álbum de Simone em 1973, retorna repaginado, contrastando com a ousadia de “Sob Medida”, de Chico Buarque, e a sensualidade de “Quando Eu Te Conheci”, de Dona Onete. A cantora explora o desejo e a autonomia feminina, mostrando uma mulher no controle de suas vontades.
Homenagens e Emocionantes Momentos Íntimos
Simone surpreende ao trazer “Migalhas”, de Erasmo Carlos, e emociona com uma interpretação íntima de “Baby”, de Caetano Veloso, apenas com voz e violão. Essa performance delicada, dedicada a Gal Costa, ressoa como uma saudade do Brasil, em um dos momentos mais tocantes da noite.
A energia retorna com “Mulher Bicho Homem”, de Ana Frango Elétrico e Ava Rocha, e “Fullgás”, de Marina Lima. O show também celebra sucessos de Rita Lee & Roberto de Carvalho, como “Cor de Rosa Choque” e “Bem Me Quer”, em um medley enérgico. A inclusão de “Tudo Que Você Podia Ser”, de Lô Borges, e “Maria Maria”, de Milton Nascimento, reforça a conexão com diferentes gerações da música brasileira.
Um Novo Capítulo na Carreira de Simone
O show “Que Mulher é Essa?” representa um marco na carreira de Simone, evidenciando sua capacidade de se reinventar e dialogar com novas sonoridades. A direção musical de Ana Frango Elétrico foi fundamental para que a cantora vestisse, com maestria, essa “nova roupa colorida”, como descrito na análise do espetáculo, repleta de frescor e autenticidade.
A performance de Simone, que encerra o roteiro com “Quando Eu Estiver Cantando”, de João Rebouças e Cazuza, antes do bis, é um convite à reflexão sobre sua trajetória e a força de sua voz. O espetáculo é uma celebração da vida, do amor e da mulher em sua plenitude, consolidando “Que Mulher é Essa?” como um dos grandes momentos da música brasileira contemporânea.





