Irã Apresenta Lista de Exigências aos EUA para Reabertura do Estreito de Hormuz
Um funcionário iraniano de alto escalão da área de segurança nacional apresentou, neste sábado, uma lista de exigências que, segundo ele, os Estados Unidos precisarão cumprir antes que o Estreito de Hormuz possa ser reaberto ao tráfego marítimo. A iniciativa lança dúvidas significativas sobre o destino dessa rota comercial crucial.
Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgou um comunicado oficial que enumera diversas condições para a reabertura do estreito. As demandas incluem a suspensão de sanções e bloqueios navais, a retirada de forças militares americanas das proximidades do país, pagamento de reparações de guerra e liberação de ativos iranianos congelados.
Além disso, Zolghadr exigiu o fim dos ataques aos aliados do Irã na região e o término das ameaças contra o próprio país. Essas condições, contudo, parecem de difícil aceitação para o governo Trump, que já condicionou a suspensão de sanções a um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.
Condições Irã são Pouco Prováveis de Serem Aceitas pelos EUA
A administração Trump tem sido enfática ao afirmar que qualquer alívio nas sanções ou liberação de ativos congelados dependerá de compromissos concretos do Irã, especialmente em relação ao seu programa nuclear e à cessação de atividades desestabilizadoras na região. Um acordo anterior, acertado em junho, previa a suspensão de sanções apenas mediante um acordo nuclear abrangente.
Autoridades americanas já indicaram que Teerã só teria acesso a recursos financeiros bloqueados se primeiro se comprometesse a abandonar seu estoque de urânio altamente enriquecido. A postura do Irã, expressa por Zolghadr, parece distante dessas exigências americanas, indicando um impasse nas negociações.
Negociações com Omã e o Futuro do Estreito de Hormuz
O comunicado de Zolghadr surge em um momento em que Irã e Omã negociam um acordo para a futura gestão do Estreito de Hormuz, uma via marítima estratégica localizada entre os dois países. O Irã havia bloqueado o estreito em retaliação a ataques recentes, aumentando a volatilidade na região.
A lista de exigências apresentada por Zolghadr frustrou expectativas de que um acordo com Omã pudesse levar à retomada do comércio pelo estreito e, consequentemente, aliviar os preços globais da energia. Essa situação pode pressionar o presidente Donald Trump a considerar as condições iranianas para reduzir os preços para os consumidores americanos.
Posição Iraniana Reforça Dificuldades para a Reabertura
Mesmo antes do pronunciamento de Zolghadr, autoridades iranianas já sinalizavam que a reabertura do estreito não seria iminente. Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, afirmou que a reabertura não está condicionada às negociações com Omã, mas sim à **”plena aceitação das condições do Irã pelos EUA”**.
Mohebbi, em declarações veiculadas pela agência de notícias Tasnim, ressaltou que Washington não deve interferir nas negociações em andamento entre o Irã e Omã, ou com outros países. Essa postura reforça a ideia de que a resolução da crise no Estreito de Hormuz depende de um acordo mais amplo entre Teerã e Washington.
Acordo de Junho e Divergências na Interpretação
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores iraniano, declarou que Irã e Omã estão **”muito próximos”** de um acordo. No entanto, ele reiterou que a reabertura do Estreito de Hormuz está condicionada a outros requisitos, incluindo a indenização por parte dos EUA pelas violações do **”Memorando de Islamabad”**, acordo de cessar-fogo assinado em junho.
O acordo de junho, mediado por negociadores paquistaneses, previa a abertura do estreito e a suspensão temporária das sanções sobre o petróleo iraniano. Contudo, a linguagem vaga do acordo gerou divergências na interpretação entre EUA e Irã. Os americanos apoiaram uma rota alternativa ao sul, próxima à costa de Omã, fora das águas iranianas, o que levou o Irã a advertir e atacar embarcações que utilizassem esse trajeto, resultando no colapso do cessar-fogo.
Impacto no Comércio e na Segurança Marítima
A tensão no Estreito de Hormuz tem impactado diretamente o comércio marítimo. Na última semana, apenas uma dúzia de navios por dia atravessou o estreito, um número drasticamente inferior à média de 130 embarcações diárias antes do conflito. Para evitar detecção, muitos navios desligaram seus transponders, dificultando a contagem precisa das travessias.
Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes informou que um ataque iraniano atingiu um navio-tanque pertencente à estatal Abu Dhabi National Oil enquanto atravessava o estreito. A empresa relatou que pelo menos 15 de suas embarcações foram atacadas na via marítima desde o início do conflito, resultando em mortes e feridos.
Especialistas em Irã, como Raz Zimmt, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, observam que as declarações iranianas refletem a visão de que as negociações com Omã visam, no máximo, definir os detalhes operacionais da reabertura. A implementação de qualquer acordo dependerá, fundamentalmente, do cumprimento das exigências iranianas pelos Estados Unidos, incluindo a suspensão do bloqueio naval e a retomada do processo de alívio das sanções.





