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Analistas: Críticas de Democratas a Trump sobre o Brasil mostram que país tem aliados fortes em Washington

O governo Donald Trump tem intensificado uma ofensiva contra o Brasil, inédita na história recente. No entanto, um grupo de lideranças do Partido Democrata, oposição ao atual presidente americano, tem se mobilizado para criticar políticas que, segundo eles, afastam os Estados Unidos de parceiros tradicionais e semeiam desconfiança em processos eleitorais.
As manifestações surgem em momentos cruciais, como a revelação de que o Departamento de Estado americano tentou enviar emissários ao Brasil para questionar a integridade do pleito. A ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA criticou a ação, afirmando que a gestão Trump busca “espalhar teorias da conspiração”, o que não torna os EUA um lugar mais seguro.
Em um caso mais recente, a senadora Jeanne Shaheen declarou que a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti por Trump foi um ato que “jogou fora a diplomacia em detrimento dos povos brasileiro e americano”. Essas declarações, segundo especialistas em política externa dos EUA, demonstram que “o Brasil ainda tem muitos amigos em Washington”.
Conforme análise de Nick Zimmerman, ex-diretor para assuntos de Brasil e Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional entre 2014 e 2016, e Frank Mora, ex-embaixador dos EUA na OEA nomeado por Biden, as críticas democratas visam reforçar o apoio a parceiros históricos como o Brasil. “Os democratas veem o Brasil como um parceiro e amigo histórico”, afirmou Zimmerman. Ele ressaltou a preocupação democrata com as ações de Trump em relação a eleições em outros países, equiparando-as aos ataques às instituições eleitorais americanas.
Mora definiu a política externa americana para a região como “imprevisível e incoerente”, caracterizando a abordagem de Trump como pessoal e baseada em elogios. “Se as pessoas o elogiam, fazem declarações sobre como Trump é maravilhoso, é provável que recebam algum tratamento preferencial, inclusive apoio em uma eleição”, explicou.
Essa estratégia se reflete na forma como os EUA abordam a América Latina, privilegiando ações bilaterais e medidas de coerção em detrimento de organizações multilaterais, como a OEA. Apesar das críticas, os especialistas reconhecem que Trump deu um foco inédito à América Latina, superior ao das últimas administrações democratas. Zimmerman considera isso “uma das poucas coisas positivas” da gestão Trump, embora haja divergências sobre a condução da política.
Mora enfatizou que o próximo presidente americano não poderá ignorar o Hemisfério Ocidental. “Cabe a nós convencer o próximo governo democrata, ou mesmo um governo republicano que não seja alinhado a Trump, de que a região precisa continuar sendo uma prioridade”, disse, destacando a dependência dos interesses nacionais dos EUA em relação às Américas.
A atual estratégia de coerção, segundo os analistas, tem se mostrado ineficiente e com potencial para efeitos opostos aos desejados. Mora citou o bloqueio de combustível a Cuba como exemplo, afirmando que “não existe um caso empírico histórico que diga que a adoção dessas medidas punitivas econômicas resulte em uma mudança de regime”.
Para Zimmerman, a política externa americana precisa evoluir, adaptando-se às mudanças globais. “Parte do nosso pensamento em política externa não acompanhou essas mudanças. No contexto das Américas, isso está mais evidente do que nunca”, observou. Ele defende que a relação com o continente “precisa partir de uma relação de parceria e respeito”, reconhecendo que a prosperidade futura dos EUA depende de uma relação pragmática e mutuamente produtiva com as Américas.
Mora sugere uma abordagem baseada em oportunidades, em vez de ameaças. “Há enormes oportunidades na região, e podemos trabalhar com os países e nossos parceiros para encontrar maneiras de enfrentar não apenas os problemas. Em vez de recorrer a medidas coercitivas, há muito mais a ganhar por meio da cooperação”, concluiu.

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