Venezuela Anuncia Libertação de 131 Presos Políticos, Sinal de Avanço nas Negociações
A Venezuela deu um passo significativo nesta sexta-feira (14), anunciando a libertação de 131 presos políticos. Este ato é visto como um importante avanço nas negociações patrocinadas pelos Estados Unidos entre a oposição e o regime, ocorrendo cerca de sete meses após a captura do ditador Nicolás Maduro pelas Forças Armadas americanas.
A chefe da delegação da oposição, Dinorah Figuera, havia se comprometido na quinta-feira (13) a impulsionar a libertação de detentos políticos. Este compromisso surgiu após a rodada inicial de negociações realizada nesta semana com o regime interino liderado por Delcy Rodríguez, indicando um movimento em direção a um diálogo mais produtivo.
A soltura de presos políticos tem sido uma demanda constante da sociedade civil venezuelana, em meio a um processo de diálogo que visa viabilizar a transição política no país, especialmente após a derrubada de Maduro em uma operação militar dos EUA. Conforme informação divulgada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, as libertações foram classificadas como um “passo crucial para o processo de reconciliação da nação”, com os EUA monitorando de perto as conversas presenciais com as autoridades interinas.
Libertações Geram Emoção e Esperança entre Familiares
A notícia da libertação de 131 pessoas, que se encontravam detidas por suposta participação em crimes, gerou grande comoção. Em um comunicado oficial, Caracas informou sobre a “concessão de medidas alternativas à privação de liberdade”. A saída de vários detentos da prisão Rodeo 1, próxima a Caracas, foi anunciada por apitos de agentes penitenciários, surpreendendo familiares que há meses acampavam do lado de fora.
Ruth Molero, mãe e tia de dois presos, relatou à agência de notícias AFP estar “muito emocionada”. Ela descreveu o momento em que os detentos começaram a sair, provocando correria e gritos de alegria entre os presentes. Embora seus familiares não estivessem entre os primeiros libertados, ela expressou confiança em sua liberação em breve.
Dinorah Figuera também comemorou a notícia, expressando esperança pelo reencontro das famílias venezuelanas. Em sua conta no X, a opositora destacou que “não são todos e eles merecem liberdade plena”, e reafirmou o compromisso em continuar exigindo a soltura de todos os detidos.
Emirlendris Benítez: “O Pesadelo Acabou”
Entre os libertados está Emirlendris Benítez, 45 anos, comerciante detida em agosto de 2018, quando estava grávida de quatro meses. Ela foi acusada de participar de um atentado com drones contra Maduro, segundo informou Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal. Benítez, em um vídeo divulgado nas redes sociais, declarou: “O pesadelo acabou”.
Benítez, que apareceu em uma cadeira de rodas, foi acusada de tentativa de homicídio qualificado, terrorismo e traição à pátria, tendo sido condenada a 30 anos de prisão. Organizações de direitos humanos denunciaram que ela foi vítima de tortura e tratamento cruel e degradante, chegando a sofrer um aborto espontâneo. Cinco outras mulheres foram libertadas juntamente com ela.
Números e Expectativas Futuras
O Foro Penal informou ter confirmado a libertação de 64 presos políticos até a data, e contabilizava 391 presos políticos até a segunda-feira (10). José Ignacio Moreno, um dos libertados após três anos e quatro meses de detenção, comentou que “essa saída não deveria ter sido assim; deveria ter ocorrido em escala maior”, expressando que a liberdade deveria ter sido concedida de forma mais ampla.
Ángeles Tirado, familiar de vários detentos, demonstrou alegria com as libertações, mas ressaltou que a expectativa é pela “liberdade plena, incondicional, para todos”. Seus familiares estão envolvidos no caso Plaza Venezuela, onde cerca de 50 pessoas foram presas em 2025 sob acusações de terrorismo por suposto envolvimento em um plano para derrubar Maduro.
O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos compartilhou imagens de um grupo de ex-presos políticos do caso Plaza Venezuela, libertados da prisão Rodeo 1, denunciada como um “centro de tortura”. Eles exigem justiça após a soltura, evidenciando que, apesar dos avanços, a luta por justiça e plenos direitos na Venezuela continua.





