Victor Marx, o candidato republicano que se autodenomina “exorcista relutante”, venceu a primária para governador do Colorado, desafiando a política tradicional com uma narrativa de fé e intervenção espiritual.
A política americana, por vezes, nos presenteia com figuras que fogem do comum. Victor Marx, candidato republicano ao governo do Colorado, é um exemplo notório dessa tendência. Sem experiência partidária e com um histórico de autodenominado “outsider”, ele conquistou a vaga para disputar contra o democrata Phil Weiser, em novembro.
Sua trajetória é marcada por um discurso que evoca elementos de populismo, coaching motivacional e uma forte veia religiosa. Marx, que se descreve como um missionário “de alto risco”, fundou a organização cristã All Things Possible, focada em resgates de vítimas de tráfico humano e abuso, muitas vezes em zonas de conflito.
A campanha de Victor Marx tem gerado burburinho, especialmente por suas alegações e métodos, que incluem a prática de “exorcismos” por telefone. Essa abordagem peculiar, aliada a um passado controverso e a uma retórica desafiadora, o posiciona como uma figura disruptiva no cenário político. Conforme apurado, a campanha de Marx bate na tecla do alto custo de vida e moradia no estado, buscando ressonância com o eleitorado, em uma estratégia que, segundo analistas, pode atrair até mesmo eleitores de esquerda.
Um Perfil Fora do Padrão Político
Victor Marx, de 61 anos, não se encaixa no molde tradicional de um político. Filho de Karl Marx, o que ele mesmo atribui a uma coincidência familiar, Victor trilhou um caminho espiritual intenso após um período de ausência paterna. Sua conversão o levou a fundar a organização All Things Possible, que opera como uma ONG religiosa sem fins lucrativos.
Ele se apresenta como um missionário que atua em “zonas de guerra” para resgatar pessoas em situações de extrema vulnerabilidade, especialmente crianças. Essa narrativa de heroísmo e fé é um pilar central de sua campanha, ressoando com um eleitorado que busca líderes com um forte senso de propósito e ação direta.
Controvérsias e Acusações Marcantes
A trajetória de Victor Marx é pontuada por relatos pessoais que geram tanto admiração quanto ceticismo. Em entrevistas e em seu livro “The Dangerous Gentleman” (O Cavalheiro Perigoso), ele compartilha episódios de sua infância que envolvem um padrasto abusivo e supostas violências extremas, incluindo a alegação de ter sido forçado a matar um homem aos sete anos. Essas histórias, embora dramáticas, carecem de evidências concretas, o que tem levantado questionamentos sobre sua veracidade.
Um dos aspectos mais comentados de sua atuação é a prática de “exorcismos relutantes”, que ele realiza rezando por pessoas, inclusive por telefone. Marx descreve essa ação como parte de uma “guerra espiritual” contra demônios. Essa forma de intervenção espiritual, fora dos ritos tradicionais, adiciona uma camada de exotismo e controvérsia à sua imagem pública.
Desafios na Campanha e Ausência de Apoio de Trump
Apesar de vencer a primária republicana por uma margem apertada de apenas 2.500 votos, Victor Marx ainda não recebeu nenhum endosso público de Donald Trump, o principal nome do Partido Republicano. Essa ausência de apoio pode ser atribuída à natureza controversa de suas alegações e à sua persona genuinamente outsider, que o diferencia de outros políticos mais alinhados ao ex-presidente.
Marx utiliza sua narrativa redentora para se conectar com eleitores que se sentem desiludidos com o sistema político. Ele acusa o “establishment” de acobertar redes de pedofilia e tráfico humano, ecoando temas populares em certos círculos da direita, como o filme “Som da Liberdade”. Sua campanha busca capitalizar em pautas ideológicas e em questões práticas como o alto custo de vida, buscando se apresentar como uma alternativa viável para o governo do Colorado.





