Benedita Casé Compartilha Jornada com a Deficiência Auditiva no Palco
A atriz Benedita Casé, filha da apresentadora Regina Casé, está transformando sua experiência pessoal com a perda auditiva em uma poderosa ferramenta de conscientização. Através de uma peça teatral inspirada na vida da dramaturga Júlia Spadaccini, Benedita abre seu coração para o público, compartilhando vivências e lançando luz sobre a condição muitas vezes invisível da surdez.
O espetáculo entrelaça as trajetórias de Júlia e Benedita, oferecendo um retrato sensível dos desafios enfrentados por quem lida com diferentes graus de perda auditiva. A montagem não só dá voz às dificuldades, mas também busca combater o preconceito e a falta de compreensão social.
Conforme relatado, Benedita nasceu ouvinte, mas complicações de saúde em sua infância levaram ao uso de medicamentos que afetaram sua audição. Júlia Spadaccini, por sua vez, começou a perder a audição aos 19 anos, recebendo o prognóstico médico de que poderia desenvolver uma surdez profunda. Essas vivências compõem o cerne da obra, que visa, nas palavras da dramaturga, “letrar as pessoas sobre essa surdez que é tão invisível”. A informação é do conteúdo divulgado.
A Luta Contra a “Surdez Invisível” e o Medo do Julgamento
Um dos pontos centrais abordados na peça é a dificuldade que a sociedade tem em compreender as nuances da perda auditiva. Benedita Casé confessa que, por muito tempo, sentiu receio de como seria percebida ao revelar sua condição.
“Eu tinha medo, na verdade, das pessoas me julgarem, de ser rejeitada, de como que eu ia ser tratada a partir do momento que vissem que eu usasse aparelho, que soubessem que eu era surda”, desabafa a atriz. Ela ressalta que a aceitação foi um processo, e que muitas pessoas ainda associam a dificuldade de ouvir apenas à necessidade de aumentar o volume da voz.
“As pessoas têm dificuldade de entender. É muito comum você chegar e já começar a gritar, começar a falar mais alto. Só que isso não muda, porque não é sobre o volume, é sobre a frequência”, explica Benedita, evidenciando a complexidade da surdez, que vai além do que se percebe superficialmente.
Representatividade no Teatro e a Importância da Visibilidade
Além de abordar os desafios da perda auditiva, o espetáculo tem um papel crucial em aumentar a representatividade de pessoas com deficiência nos espaços culturais. Benedita Casé argumenta que a ausência dessa presença contribui para a perpetuação da invisibilidade do tema.
“Se não está lá na tela, não está nos lugares, não está no teatro, é completamente excluído mesmo porque se você não vê, não existe”, afirma a atriz, destacando a força da representação visual para a conscientização e inclusão.
Acessibilidade e Empatia Como Pilares da Peça
A peça foi concebida pensando em ser o mais acessível possível. Para isso, foram incorporados recursos voltados tanto para o público surdo que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) quanto para aqueles que acompanham a apresentação por meio de legendas.
A proposta é clara: promover a compreensão e a empatia entre diferentes públicos, criando um ambiente onde todos possam se conectar com a história e com as vivências apresentadas. A intenção é quebrar barreiras e fomentar um diálogo mais aberto e natural sobre a deficiência auditiva.
Um Convite à Conversa e à Aceitação
Ao compartilhar suas próprias vivências e ao dar voz à história de Júlia Spadaccini, Benedita Casé espera contribuir significativamente para que o tema da surdez seja tratado com mais naturalidade no dia a dia.
“Eu acho que quanto mais a gente falar sobre isso e entender o que é melhor para o outro, as coisas funcionam”, conclui a atriz, em um chamado para que a sociedade se abra ao diálogo e à empatia, reconhecendo a diversidade de experiências e buscando formas mais eficazes de inclusão e compreensão mútua.




