Caça da OTAN derruba drone suspeito de ser russo no espaço aéreo da Romênia, aumentando preocupações com escalada de conflitos.
Um caça F-18 da OTAN, em missão de policiamento aéreo, abateu um drone que invadiu ilegalmente o espaço aéreo da Romênia neste domingo (16). Este é o quarto drone derrubado sobre o país neste ano, elevando as tensões na Europa em meio ao recrudescimento dos ataques entre Ucrânia e Rússia.
O coronel americano Martin O’Donnell, porta-voz do comando militar da OTAN, confirmou que a aliança mantém vigilância constante e está preparada para se defender de qualquer ameaça. Embora detalhes adicionais estejam sob investigação, o drone abatido “parece ser russo”, afirmou O’Donnell.
A Romênia, membro da OTAN, compartilha uma longa fronteira com a Ucrânia e tem sido alvo de repetidas violações de seu espaço aéreo por drones russos, além da presença de minas à deriva no Mar Negro. Essas incursões aumentam o risco para rotas comerciais e energéticas importantes na região.
Conforme informado pelo Ministério da Defesa romeno, o drone foi detectado por radar ao entrar no país vindo da vizinha Moldova. O caça F-18, parte de um contingente espanhol da OTAN destacado na Romênia, obteve autorização para atacar o alvo, que foi abatido com segurança às 5h01, horário local. Fragmentos do drone caíram em uma área desabitada.
Ataques aéreos intensificados e vítimas civis em ambos os lados
O incidente ocorre em um contexto de ataques aéreos intensificados em ambos os lados do conflito. Durante a noite de sábado (15) e madrugada de domingo (16), ataques aéreos mataram 12 pessoas na Rússia e na Ucrânia, com centenas de drones e mísseis atingindo infraestruturas civis.
Na Rússia, enxames de drones ucranianos causaram a morte de cinco pessoas em uma área residencial na região de Rostov, e outras duas mortes foram registradas nas regiões de Belgorod e Moscou. O governador da região de Moscou descreveu a ofensiva como “um dos maiores ataques de drones dos últimos tempos”.
Na Ucrânia, uma barragem de drones e mísseis russos atingiu uma usina siderúrgica em Krivi Rih, matando duas pessoas e ferindo 14. A planta, uma das maiores produtoras de aço do país, teve suas operações parcialmente suspensas devido aos danos. Ataques também deixaram vítimas em Zaporíjia e Sumi.
Ucrânia pede mais defesa antiaérea diante de ataques russos
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, reiterou seu apelo aos aliados por mais sistemas de defesa antiaérea. Ele destacou que, na última semana, o país foi atingido por mais de 1.550 drones de ataque, quase 1.560 bombas aéreas guiadas e 62 mísseis.
Zelenski afirmou que os russos atacam infraestrutura civil onde quer que seus mísseis balísticos consigam alcançar. A Ucrânia tem intensificado ataques contra armazéns pertencentes à maior varejista online russa, a Wildberries, alegando que a empresa fornece componentes para drones de Moscou, visando enfraquecer a economia de guerra russa.
Aumento de vítimas civis e o impacto na guerra
Em julho, 437 civis foram mortos na Ucrânia, o maior número mensal desde maio de 2022, de acordo com a ONU. Do lado russo, 79 civis morreram em julho, um aumento em relação ao mês anterior, segundo autoridades russas.
A intensificação dos ataques de longo alcance, com mísseis balísticos difíceis de interceptar, tem levado o número de civis mortos aos maiores níveis desde os primeiros meses da invasão russa em fevereiro de 2022. A escassez de sistemas de defesa antiaérea na Ucrânia, agravada pelo desvio de suprimentos para outros conflitos, é um fator crítico.





