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Irã oferece recompensa milionária por morte ou captura de soldados americanos, elevando tensão no Oriente Médio

Em um movimento que intensifica as já elevadas tensões na região, o Irã anunciou neste domingo (16) a oferta de uma recompensa equivalente a US$ 30 mil (aproximadamente R$ 156 mil) para quem conseguir matar ou capturar soldados americanos. O valor dobra caso a ação seja executada por uma mulher, segundo informações da agência estatal de notícias Irna.

O comandante do Exército persa, Amir Hatami, justificou a decisão como uma resposta ao “grande número de pedidos” para participar do apoio financeiro. A medida surge em um contexto de conflitos latentes entre o Irã e os Estados Unidos, com trocas de ataques esporádicos desde fevereiro, concentrados principalmente no sul do Irã e nos arredores do estratégico estreito de Hormuz.

Apesar da declaração do Irã, não há registro de envio de forças terrestres americanas ao país durante a guerra em andamento no Oriente Médio, com exceção de uma missão pontual de resgate de um piloto abatido em abril. Hatami, contudo, não forneceu detalhes sobre onde ou quando se esperava que tais ações contra militares americanos ocorressem.

Disputas por Pilotos Aumentam Atrito

Paralelamente, a situação se complica com alegações iranianas contra o Qatar e o Kuwait. Um funcionário militar iraniano afirmou neste domingo que o Qatar deveria permitir a entrada de uma equipe do regime para investigar o paradeiro de pilotos persas, que, segundo Teerã, teriam sido capturados por forças qatares. Doha, no entanto, nega veementemente manter qualquer piloto iraniano sob custódia.

A monarquia do Golfo informou no sábado que suas equipes de busca e resgate encontraram os restos mortais de um piloto após aeronaves iranianas violarem o espaço aéreo qatari em março e não responderem às tentativas de contato. O Qatar declarou ter contatado o Irã para coordenar a entrega dos restos mortais e convidado Teerã a analisar os detalhes de suas operações, mas alega não ter recebido resposta.

Acusações de Retenção de Informações

Mohammad Baqerzadeh, comandante do Comitê de Busca por Pessoas Desaparecidas do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, acusou as autoridades do Qatar de adiar repetidamente a investigação e impedir o retorno dos pilotos ao Irã. Ele solicitou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha que acompanhe o caso com urgência, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.

Baqerzadeh estendeu suas acusações ao Kuwait, alegando que o país também estaria retendo informações sobre o paradeiro de quatro iranianos detidos em seu território. Em maio, o Irã afirmou que os quatro indivíduos, ligados à Guarda Revolucionária, realizavam uma patrulha marítima e entraram acidentalmente em águas territoriais kuwaitianas devido a uma falha de navegação. O Kuwait, por sua vez, declarou que os quatro são suspeitos de planejar ações hostis contra o país.

Contexto de Guerra e Negociações Fracassadas

A guerra entre Irã e EUA teve início em 28 de fevereiro, após bombardeios americanos e israelenses contra alvos em território iraniano. Os confrontos, que duraram quase 40 dias, foram seguidos por um cessar-fogo em abril. Um acordo preliminar para negociações de paz chegou a ser alcançado em junho, mas posteriormente fracassou.

Desde então, Teerã e Washington têm protagonizado ataques esporádicos, intensificando a instabilidade regional e impactando rotas comerciais vitais, como o estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial e que se encontra bloqueado pelos iranianos.

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