Presidente Donald Trump enfrenta seu pior momento em pesquisas de aprovação, mas demonstra pouca intenção de mudar de estratégia política.
Uma enxurrada de novas pesquisas de opinião aponta para o nível mais baixo de aprovação da presidência de Donald Trump, com cerca de um terço dos americanos expressando apoio. A guerra no Irã e o alto preço da gasolina parecem pesar na avaliação pública.
Os levantamentos mais recentes indicam que Trump se aproxima de se tornar o presidente mais impopular a esta altura de um segundo mandato na história das pesquisas, que remontam à década de 1940. A exceção, Richard Nixon, tinha ainda menos apoio, mas estava prestes a renunciar.
Em uma “Casa Branca normal”, números como esses desencadeariam um modo de pânico, com possíveis demissões e reformulações de políticas, especialmente a poucos meses de eleições cruciais. No entanto, Trump opera fora do padrão, confiando em sua base “Maga” (Make America Great Again) para manter o controle, mesmo com o apoio fragilizado.
Conforme Douglas Heye, estrategista republicano, “Ele sempre vai projetar força, independentemente de quais sejam os números, e vai dizer que eles são falsos de qualquer maneira”. Heye não espera mudanças significativas na estratégia política de Trump, a menos que ocorra algo drástico.
Impulsividade como Marca Registrada
A dificuldade em mudar de rumo pode residir na própria natureza impulsiva de Trump. Conhecido por seguir seus instintos, ele pode alterar posições rapidamente, uma tática que o ajudou a dominar a política americana por mais de uma década.
Apesar de nunca ter conquistado a maioria do voto popular em nenhuma de suas eleições, Trump governou como se fosse um presidente com apoio majoritário. Contudo, os números recentes preocupam os republicanos, que temem uma onda democrata nas eleições de meio de mandato.
Números Alarmantes e Comparações Históricas
Pesquisas recentes da CNN, AP-NORC e Universidade Quinnipiac mostram a aprovação de Trump em torno de 32% a 34%, níveis que igualam seus piores momentos, incluindo o período após o ataque ao Capitólio em 2021. Esses índices contrastam fortemente com presidentes como Bill Clinton (64%), Ronald Reagan (61%) e Dwight Eisenhower (58%) em fases semelhantes de seus mandatos.
Outros presidentes com índices de aprovação inferiores, como Barack Obama (43%), Harry Truman (39%) e George W. Bush (37%), viram seus partidos sofrerem perdas nas eleições de meio de mandato subsequentes. Richard Nixon, à beira do impeachment, registrava apenas 24% de aprovação.
Desafios em Questões Chave e a Guerra no Irã
O desafio para Trump e os republicanos é que o presidente está em desvantagem em diversas questões, inclusive em áreas onde historicamente detinha forte apoio, como economia e imigração. A guerra no Irã, já impopular desde o início, viu seu apoio despencar ainda mais, com a oposição dos eleitores na proporção de 2 para 1.
A preocupação republicana se intensifica com a possibilidade de que eleitores descontentes com Trump estejam mais motivados a votar do que seus próprios apoiadores. Douglas Sosnik, ex-diretor político da Casa Branca, alerta que “essas pessoas vão votar” e que republicanos fora da base “Maga” podem não estar tão engajados.
Polarização e o Futuro Político
Apesar do cenário sombrio, a polarização política e a forma como os distritos eleitorais são delimitados podem mitigar o impacto de uma onda democrata. Kristen Soltis Anderson, pesquisadora de opinião, aponta que a aprovação presidencial oscila em uma faixa mais estreita atualmente, tornando índices na casa dos 30% menos catastróficos do que no passado, mas ainda indicativos de afastamento de partes da coalizão.
A Casa Branca, por meio de seu porta-voz Davis Ingle, defendeu o histórico de Trump, destacando suas ações em favor dos “americanos trabalhadores” e “avanços históricos”. No entanto, o próprio Trump continua a desconfiar de pesquisas desfavoráveis, classificando-as como “desonestas”.
Analistas lembram que Trump já foi dado como acabado anteriormente, mas sobreviveu a controvérsias e baixos índices de aprovação. Sua filosofia “YOLO” (You Only Live Once) e o controle sobre sua base “Maga” o tornam resiliente a escândalos e contribuem para sua capacidade de se reeleger, mesmo sem apoio majoritário consistente.





