O lado materno de Elis Regina ganha destaque em documentário emocionante baseado no livro de João Marcello Bôscoli
Um olhar íntimo e tocante sobre a figura de Elis Regina, não como a estrela inatingível da música brasileira, mas como mãe, é o foco do documentário “Elis & eu”. Dirigido por André Buchatsky, o filme estreia no canal Universal+ e promete desvendar as complexidades e o amor incondicional de Elis Carvalho Costa por seus três filhos: João Marcello Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita.
A obra cinematográfica expande o relato pessoal e emocionante de João Marcello Bôscoli, apresentado em seu livro “Elis e eu – 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe”, publicado em 2019. Através de uma mistura de depoimentos, imagens de arquivo, dramatizações e performances musicais, o documentário reconstitui o universo familiar da cantora durante os anos 1970 e início dos anos 1980.
A produção busca trazer à tona a mãe zelosa, carinhosa e, por vezes, rígida que Elis foi, contrastando com a imagem pública da artista que nos deixou precocemente em 1982. As informações são baseadas em crítica divulgada sobre o documentário.
O Coração Materno de Elis Regina em Detalhes
O documentário “Elis & eu” disseca o coração materno de Elis Regina, mostrando a dimensão de seu amor pelos filhos. A fala de João Marcello Bôscoli, que o filme utiliza quase ao final, resume essa percepção: “Naquele mundo que a gente tinha ali, era ela quem provia os superpoderes para todo mundo. Eu tinha 11 anos, mas foi assim que a vida se deu, né?”.
A narrativa, com cerca de 80 minutos, tem como eixo central a entrevista de João Marcello, mas é enriquecida pelas contribuições de Pedro Mariano, o filho do meio, de Celina Silva, secretária pessoal de Elis, da cantora Wanderléa, de Natan Marques, guitarrista e diretor musical do último show da artista, de Ione Cirilo, amiga de Elis, e do jornalista Julio Maria, biógrafo da cantora.
Maria Rita, a caçula, embora não tenha gravado depoimento, é representada por uma fala de 2016 para um programa de TV. Esses depoimentos ajudam a contextualizar a vida particular de Elis com os filhos, até o fatídico 19 de janeiro de 1982, data que marcou um antes e um depois na vida da família.
Memórias da Serra da Cantareira e a Maternidade Exigente
Pedro Mariano destaca a importância de exercitar a memória, afirmando: “A memória é como um músculo que você precisa exercitar, se não atrofia”. Ele relembra os anos vividos com a mãe na casa da Serra da Cantareira, em São Paulo. O documentário retrata Elis como uma mãe dedicada, que cozinhava com talento impressionante, frequentava reuniões escolares e cultivava uma horta, tudo isso em meio a uma carreira profissional intensa.
A jornalista Ione Cirilo, amiga de Elis, revela que a cantora se sentia “meio que em débito com os filhos” devido à profissão, buscando compensar as ausências com uma educação amorosa e rigorosa. “Ela amava esses filhos, elas disciplinava esses filhos, ela tomava conta deles, ela orientava, ela castigava quando precisava”, enumera Cirilo.
Dramatizações e a Voz de Elis em Cena
As dramatizações, com Antônio Menqui e Vitor Constantino interpretando João Marcello Bôscoli em diferentes fases da vida, e Lilian Menezes dando vida a Elis Regina, escapam da artificialidade graças às atuações. Lilian Menezes, que já interpretou Elis no musical “Elis, a musical”, surpreende ao cantar o samba “Madalena” com um registro vocal que se aproxima do original da cantora.
O documentário “Elis & eu” permeia sua narrativa com falas da própria Elis Regina sobre maternidade, extraídas de entrevistas antigas. A produção descortina um pouco dos bastidores da vida privada de Elis, ampliando o relato íntimo e pessoal do livro de João Marcello Bôscoli, o filho que precisou crescer sem os “superpoderes” de sua mãe.





