Cuba enfrenta onda de protestos e repressão estatal, aponta ONG Cubalex
O primeiro semestre de 2026 em Cuba foi marcado por um aumento sem precedentes nos protestos e, consequentemente, na repressão na ilha, segundo um relatório divulgado pela ONG de direitos humanos Cubalex. A organização registrou um número alarmante de manifestações populares, refletindo a crescente insatisfação da população com a crise econômica e social.
A Cubalex, que monitora eventos em Cuba desde 2022, observou um pico histórico em junho, com 253 protestos. Essa escalada popular vem acompanhada por um aumento expressivo nas violações de direitos humanos, com uma média de dez ocorrências diárias. Os dados compilados pela ONG indicam uma intensificação das ações estatais contra manifestantes e críticos.
Esses números, segundo a própria Cubalex, não só demonstram a expansão da capacidade de monitoramento da organização, mas também são sinais convergentes de uma repressão estatal cada vez mais acentuada. O contexto de crise econômica, agravado pela dependência de outros países e pelas sanções internacionais, parece ser um dos principais motores desses eventos. Conforme informação divulgada pela Cubalex, o aumento nas violações de direitos humanos foi de 48% em comparação com o semestre anterior.
Aumento expressivo de protestos e repressão
A ONG Cubalex relatou um número **impressionante de 766 protestos** entre janeiro e junho de 2026. O mês de junho registrou o maior pico, com 253 manifestações, o que representa um **aumento sem precedentes** desde o início do monitoramento da entidade em 2022. Essa onda de protestos reflete a profunda insatisfação popular com a situação socioeconômica do país.
Em paralelo, as violações de direitos humanos também dispararam. Foram registradas **1.894 ocorrências** no primeiro semestre, uma média de dez por dia. Para comparação, o semestre anterior contabilizou 1.279 eventos, ou sete por dia, indicando um **aumento de 48%** nas violações. A Cubalex salienta que esses números refletem tanto a ampliação de sua capacidade de monitoramento quanto a **intensificação da repressão** por parte do Estado cubano.
Repressão atinge diversos setores da sociedade
A repressão estatal atingiu **919 pessoas** no primeiro semestre de 2026, sendo 204 mulheres e 715 homens. A Cubalex destaca que esse período evidencia a **continuidade e intensificação de padrões repressivos** que se estendem a setores não organizados da população, com o número de vítimas duplicando em relação aos seis meses anteriores. Manifestantes, críticos nas redes sociais, trabalhadores informais e figuras religiosas estão entre os alvos.
Os dados da entidade revelam que **58% dos incidentes repressivos afetaram a sociedade civil independente e organizada**, enquanto 42% atingiram cidadãos sem vínculo organizacional conhecido. Geograficamente, a repressão também se expandiu, com violações registradas em Havana e em outros **140 municípios**, um aumento considerável em relação aos 88 do semestre anterior.
Grupos vulneráveis e mortes sob custódia estatal
A Cubalex aponta que, apesar da expansão do espectro repressivo, as violações continuam a atingir com maior intensidade os grupos historicamente mais expostos, como pessoas privadas de liberdade, afrodescendentes, defensores dos direitos humanos e ex-presos políticos. Um número alarmante de menores também foi afetado.
As mortes potencialmente ilícitas provocadas pelo Estado somaram **42** de janeiro a junho de 2026, um **aumento de 56%** em comparação com o segundo semestre de 2025, quando foram registradas 27 mortes. A ONG atribui essa escalada à estratégia do Estado de contenção imediata e punição tardia, explorando tensões geopolíticas, como a pressão dos EUA sobre o regime cubano.
Estratégia preventiva e vigilância estatal
O relatório da Cubalex também indica que, em julho de 2026, apesar de uma ligeira queda no número de protestos para 199, os eventos repressivos aumentaram em relação ao mês anterior. O Estado cubano tem implementado uma **estratégia cada vez mais preventiva**, baseada em vigilância, intimações arbitrárias e restrições à mobilidade contra ativistas e defensores dos direitos humanos.
Os picos da repressão coincidiram com datas politicamente sensíveis, em vez de com os dias de maior protesto, sugerindo um controle estatal mais acirrado e uma tentativa de antecipar e reprimir qualquer manifestação de dissidência. A crise econômica, agravada pela falta de combustível e pela dependência da Venezuela, que também sofre com intervenção americana, intensifica o cenário de instabilidade em Cuba.





