Ministro extremista de Israel grava vídeo de propaganda em local destinado a execuções de palestinos
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo chocante que gerou forte repercussão internacional. Nas imagens, ele aparece em um local que deve ser utilizado para a execução de palestinos condenados por ataques terroristas, de acordo com uma legislação aprovada recentemente no país.
O vídeo, que tem o formato de propaganda eleitoral, mostra Ben-Gvir declarando: “É aqui que os terroristas serão executados. Teremos uma forca, salas para que as vítimas do crime possam vir e assistir, igualzinho nos Estados Unidos, aliás”. Ele acrescentou: “Estamos cumprindo nossas promessas. Houve quem duvidasse, houve quem zombasse. Está aí. A obra começou.”
A publicação ocorre em um momento delicado, com eleições gerais em Israel marcadas para 27 de outubro. A iniciativa de aprovar a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais partiu do próprio Ben-Gvir em março deste ano. Durante a votação no Parlamento, o ministro utilizou um broche em formato de forca, reforçando sua posição.
Lei de pena de morte: aplicação restrita e acusações de apartheid
Embora a lei não especifique que a pena de morte se aplicará exclusivamente a palestinos, sua implementação é restrita a casos julgados em tribunais militares e que envolvam o motivo de “negar a existência do Estado de Israel”. Essa configuração torna praticamente nula a possibilidade de extremistas judeus serem enquadrados por essa legislação.
Um ponto crucial é que cidadãos israelenses não são julgados em tribunais militares na Cisjordânia. Mesmo colonos judeus em assentamentos ilegais são submetidos à lei civil israelense. Por outro lado, palestinos acusados de crimes relacionados à “segurança nacional” de Israel passam pelo sistema de lei militar. Essa disparidade é o cerne das acusações de apartheid feitas por entidades como a Anistia Internacional.
Israel nega as acusações, alegando que as diferenças de tratamento são justificadas por preocupações legítimas de segurança e por questões de nacionalidade, não de raça. O direito internacional define apartheid como um crime que envolve discriminação racial.
Assentamentos israelenses e condenação internacional
Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais pelo direito internacional, pois a Convenção de Genebra proíbe a potência ocupante de transferir sua população para o território ocupado. Atualmente, cerca de 500 mil judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia e 250 mil na Jerusalém Oriental ocupada.
Em um desenvolvimento recente, França, Alemanha, Reino Unido e Itália condenaram a proposta israelense de expandir o assentamento E1. Esse projeto, se concluído, separaria Jerusalém Oriental do restante da Cisjordânia, o que foi considerado inaceitável pelos governos europeus.
Histórico de declarações controversas de Ben-Gvir
A pena de morte é legal em Israel, mas raramente aplicada. Apenas duas pessoas foram executadas na história do país, sendo uma delas o nazista Adolf Eichmann. Itamar Ben-Gvir tem um histórico de declarações e ações controversas, o que lhe rendeu sanções de diversos países, como Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Irlanda e Noruega.
Recentemente, Ben-Gvir sugeriu que Israel deveria matar “de 30 a 40” pessoas todos os dias na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino. Essa fala gerou condenação até mesmo da Alemanha. Em julho, sobre o plano de paz para Gaza apoiado por Donald Trump, Ben-Gvir afirmou que “só se pode negociar com nazistas por meio da mira da arma” e que a “única solução para Gaza é encorajar a emigração e destruir o Hamas”.
Em junho, durante confrontos entre Israel e Hezbollah, o ministro escreveu em sua conta no X: “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas precisam chorar. Todo o Líbano precisa queimar!”. Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro, ele declarou que todos que apoiam o Hamas, inclusive aqueles que distribuem doces em Gaza, são terroristas. Em 2019, Ben-Gvir defendeu a expulsão de cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem leais ao país.
Ben-Gvir mantém seu cargo ministerial devido ao apoio de seu partido, o Otzma Yehudit (Poder Judaico), que garante a maioria parlamentar necessária para o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Contudo, pesquisas recentes indicam que Netanyahu pode perder essa maioria nas próximas eleições.





