Black Pantera lança “Continental”, um marco na carreira que une peso, ativismo e novas sonoridades
A banda mineira Black Pantera, conhecida por sua força no thrash metal e hardcore punk, está de volta com seu quinto álbum, “Continental”, lançado em 21 de agosto. O trabalho busca um equilíbrio ousado entre a necessidade de alcançar um público mais amplo, evidenciado pelas colaborações inéditas, e a preservação da identidade militante que marca o trio na luta contra o racismo e a injustiça social.
A grande novidade é que Chaene da Gama (baixo e voz), Charles Gama (voz e guitarra) e Rodrigo Pancho (bateria e percussão) conseguiram, com maestria, navegar por essa equação. O resultado é um álbum que soa como uma evolução natural de seus trabalhos anteriores, mantendo a essência que conquistou fãs e críticos.
A produção musical, a cargo de Rafael Ramos, confere ao “Continental” uma sonoridade polida, que se conecta com a trajetória recente da banda. O álbum anterior, “Perpétuo” (2024), já demonstrava uma veia mais melódica, seguindo a linha de “Ascensão” (2022), disco que impulsionou o Black Pantera para novos patamares, inclusive em sua agenda internacional.
Peso e Resistência em Cada Faixa
Para os fãs que buscam a energia crua do metal hardcore, “Continental” entrega em abundância. Faixas como “Yasuke”, com sua velocidade implacável, e a faixa-título “Continental”, que abre o disco com uma citação do geógrafo Milton Santos sobre a América Latina como território de resistência, são exemplos claros. A música “Obsoleto”, com um minuto e 42 segundos de pura fúria e a participação de Derrick Green, vocalista do Sepultura, reforça essa conexão com as raízes do gênero.
A presença de Derrick Green, aliás, não é por acaso. O Sepultura é uma referência inegável para o Black Pantera, trio formado em Uberaba (MG) em 2014. Essa influência é sentida em faixas como “Negusa Nagast”, que exibe uma base percussiva sólida e uma guitarra incandescente.
Colaborações que Ampliam o Discurso
O álbum se destaca também pelas participações especiais, que enriquecem a proposta sonora e temática. A colaboração com Chico César na música “Banzo” adiciona um balanço afro-caribenho e se alinha perfeitamente com a militância do artista. A faixa exemplifica a capacidade do Black Pantera de transitar para além do universo metaleiro sem perder o foco em suas mensagens sobre sofrimento e resistência.
“Eles não entendem a nossa raiva, eles não conhecem a nossa dor”, bradam Chico César e Chaene da Gama em “Banzo”, um dos momentos mais surpreendentes e impactantes de “Continental”. Essa parceria mostra a versatilidade da banda em explorar novas texturas sonoras.
Outra participação notável é a de Sandra Sá em “Quando canto”, onde sua voz se harmoniza com a celebração da ancestralidade negra. Já a breve intervenção falada de Duquesa em “Serotonina”, embora mais discreta, complementa a força direta da música.
O Racismo como Tema Central e a Atitude de Luta
O racismo cotidiano, tema recorrente no discurso ativista do Black Pantera, é abordado com contundência em “Hórus”, single lançado antes do álbum. A faixa “W.P.P.”, sigla para “white people problem”, denuncia de forma explícita os privilégios brancos em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural.
“Continental” é, acima de tudo, um álbum de celebração e resiliência. O Black Pantera expõe dores e injustiças, mas o faz de cabeça erguida, em um tom de combate e altivez. A faixa “Punhos cerrados”, que encerra o disco, sintetiza essa atitude com seu som thrash potente, fúria e um refrão marcante, provando que o trio segue mais forte e atento do que nunca em seu momento de auge.
Seja na força do thrash em “Sic mundus” ou na evocação do punk dos anos 80 em “Velho jeans rasgado”, Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo Pancho reafirmam, com “Continental”, seu compromisso com a luta e a música de impacto, expandindo seus horizontes sem diluir a mensagem que os tornou referência.





