Jogos Mundiais Nômades retornam ao Quirguistão com celebração de esportes ancestrais
A partir de 31 de agosto, o Quirguistão se prepara para sediar a quarta edição dos Jogos Mundiais Nômades, um evento singular que celebra as tradições esportivas dos povos ancestrais das estepes euroasiáticas. A competição, criada em 2014 no próprio país, reúne competidores de dezenas de nações em modalidades únicas.
O evento promete ser grandioso, com a inauguração de um novo estádio para a cerimônia de abertura. Embora outras nações já tenham sediado os jogos, o Quirguistão demonstra um forte domínio e entusiasmo, sendo o principal anfitrião e líder no quadro de medalhas.
Esta edição reforça a importância cultural e esportiva dos Jogos Mundiais Nômades, atraindo atenção global para as práticas ancestrais da Ásia Central. Conforme informação divulgada sobre o evento, a expectativa é superar os 3 mil atletas que participaram da edição de 2024 no Cazaquistão, com a presença confirmada de ao menos 90 países.
A rica história dos Jogos Mundiais Nômades
O Quirguistão, historicamente sob influência de diversos impérios, manteve suas raízes nômades vivas. A ideia dos Jogos Mundiais Nômades surgiu como uma iniciativa para difundir a cultura do país, proposta por Askhat Akibaev. O evento expandiu-se para abranger modalidades típicas de toda a Ásia Central.
Esses jogos são uma autêntica “olimpíada” de esportes praticados principalmente por povos da Ásia Central, com forte ênfase em competições equestres. Países como Cazaquistão, Turcomenistão e Uzbequistão são potências nos Jogos, ao lado dos anfitriões quirguizes.
As edições anteriores foram majoritariamente realizadas no Quirguistão, com exceções na Turquia (2022) e no Cazaquistão (2024), evidenciando a forte ligação do país com o evento.
Modalidades que desafiam o comum
As competições dos Jogos Mundiais Nômades incluem desde corridas a cavalo e tiro com arco montado, até esportes mais inusitados. O er enish, onde o objetivo é derrubar o adversário da montaria com as mãos, e o famoso kok-boru, uma disputa a cavalo pela posse de uma carcaça de cabra para marcar pontos, são exemplos notáveis.
Embora existam disputas sem cavalos, como jogos de mesa e falcoaria, a paixão equestre é evidente. Essa preferência reflete a herança nômade dos participantes, que utilizavam os cavalos para se deslocar pelo vasto continente.
Edição de 2026: grande retorno ao Quirguistão
Após oito anos, os Jogos Mundiais Nômades voltam ao Quirguistão com pompa. A cerimônia de abertura ocorrerá na recém-construída Azattyk Arena, em Bishkek, um estádio para 51 mil pessoas. Esta arena, orçada em US$ 60 milhões, é a maior estrutura poliesportiva da Ásia Central.
Contudo, a arena principal não será o palco das competições. No dia seguinte à abertura, os competidores se deslocarão 250 km para o interior do país, onde as disputas ocorrerão de fato, em um verdadeiro espírito nômade.
A maioria das provas acontecerá em Cholpon-Ata, uma cidade às margens do lago Issyk-Kul, conhecida por seus resorts. Eventos culturais associados aos Jogos Mundiais Nômades ocorrerão em Kyrchyn, a cerca de uma hora de distância. Os jogos se estenderão até 6 de setembro, com serviços especiais de ônibus conectando as áreas de competição.





