Departamento de Estado dos EUA retira obra de Kehinde Wiley de embaixada e considera venda em meio a polêmica.
Uma pintura do renomado artista Kehinde Wiley, conhecido por criar o retrato oficial de Barack Obama, foi retirada da Embaixada dos Estados Unidos na República Dominicana na semana passada. A decisão, tomada pelo Departamento de Estado, gerou controvérsia e levanta questões sobre a politização da arte diplomática.
A obra, intitulada “Young Artists After Siamesas 1960”, foi encomendada pelo governo federal em 2013 com fundos públicos. No entanto, a diretora do programa Arte nas Embaixadas, Erin Scavino, a classificou como “muito woke” e “esteticamente aterrorizante”, conforme divulgado pelo The New York Times.
A embaixadora dos EUA na República Dominicana, Leah Campos, celebrou a retirada da pintura em redes sociais, associando-a a “ideologias globalistas e woke” e afirmando que a arte deveria refletir “o patriotismo americano”. O Departamento de Estado agora avalia a possibilidade legal de vender a obra, o que seria inédito para o programa Arte nas Embaixadas.
O que diz o Departamento de Estado sobre a retirada da obra
Em comunicado oficial, um porta-voz do Departamento de Estado não comentou diretamente o conteúdo da pintura, mas criticou declarações feitas por Wiley em 2023 sobre outra obra sua, “Judith and Holofernes”. Wiley teria descrito a peça como “uma brincadeira com essa coisa de ‘matar brancos’”, o que, segundo o porta-voz, “não tem lugar no Departamento de Estado da política América em Primeiro Lugar”.
O porta-voz também mencionou acusações de agressão sexual contra Wiley, que o artista nega. A justificativa para a retirada e possível venda da pintura “Young Artists After Siamesas 1960” baseia-se nessas alegações e nas declarações interpretadas como violentas e racistas, alinhando-se à política externa do governo Trump.
Artista Kehinde Wiley e a diplomacia cultural
Kehinde Wiley é conhecido por suas releituras de obras clássicas, inserindo modelos negros contemporâneos em composições históricas. Para “Young Artists After Siamesas 1960”, Wiley estudou pinturas de artistas dominicanos e colaborou com estudantes de arte locais, um processo que durou dois anos. Em 2015, o próprio Departamento de Estado o premiou por suas contribuições à diplomacia cultural.
Virginia Shore, que encomendou a obra em questão quando dirigia o programa Arte nas Embaixadas, defendeu o trabalho, classificando-o como apartidário. Ela ressaltou a importância do programa para a construção de confiança e empatia entre países, citando que o programa recebeu apoio durante o governo Bush.
Histórico do programa Arte nas Embaixadas e outras polêmicas
O programa Arte nas Embaixadas foi criado em 1963, durante o governo Kennedy, com o objetivo de promover a diplomacia cultural. A retirada da obra de Wiley é vista por alguns como uma tentativa de politizar o programa. A diretora Erin Scavino já esteve envolvida em outras controvérsias, como a demissão de um embaixador na Romênia por conta de uma obra considerada “satânica” e a organização de uma exposição em Washington com o lema “Tornar a Arte Grande Novamente”.
A embaixadora Leah Campos, por sua vez, reafirmou em redes sociais que seu objetivo é que a arte exibida na embaixada reflita a “beleza, a força e o compromisso com a liberdade dos Estados Unidos”. Ela declarou que, sob o governo Trump, a embaixada abandonaria “ideologias globalistas e ‘woke’” em favor do “patriotismo americano”.





