Minério estratégico: Brasil na mira de potências mundiais em busca de terras raras
O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o potencial do Brasil como fornecedor de terras raras, minerais essenciais para tecnologias modernas e para a indústria bélica. A declaração surge em um contexto de intensa disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle dessas matérias-primas, conforme relatado pelo ministro após conversas com representantes americanos.
Silveira compartilhou que, durante uma visita a Washington em maio, ouviu de Donald Trump e sua equipe que os Estados Unidos “perderam a corrida dos minerais críticos para a China”. Essa admissão ressalta a urgência americana em diversificar suas fontes de suprimento e a importância estratégica do Brasil nesse cenário.
A fala do ministro ocorreu durante a Exposibram, um importante congresso de mineração em Belo Horizonte. Ele enfatizou a necessidade de atrair capital estrangeiro para o processamento desses minerais em território nacional, visando agregar valor e gerar empregos no país. A informação foi divulgada nesta terça-feira (25).
EUA buscam alternativas ao domínio chinês em terras raras
O Ministro Alexandre Silveira explicou que os Estados Unidos reconhecem a dificuldade e o custo mais elevado de produzir terras raras em seu próprio território, tornando o Brasil uma alternativa viável e necessária. A China, por sua vez, domina grande parte da tecnologia de processamento e refino desses minerais, o que pode limitar seu interesse em investir em etapas de maior valor agregado no Brasil.
Recentemente, o Departamento de Defesa americano anunciou um investimento de US$ 750 milhões (aproximadamente R$ 3,8 bilhões) para a aquisição de carbonato misto de terras raras da Serra Verde, em Goiás. Este aporte eleva o total de investimentos previstos para o projeto a US$ 1,5 bilhão, incluindo contratos de compra antecipada e dívidas bancárias.
Serra Verde: um ativo estratégico com novo direcionamento comercial
A mina de Serra Verde, atualmente a única em operação no Brasil, tinha seus contratos de exportação voltados majoritariamente para processadores chineses. No entanto, a aquisição do ativo pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões marca uma mudança significativa nesse panorama, com um acordo de offtake de quinze anos com os Estados Unidos.
Essa transição, embora garanta um comprador estratégico, levanta questionamentos sobre a real agregação de valor dentro do Brasil. A etapa de separação e processamento dos minerais críticos, que concentra a maior parte do valor econômico, continua sendo realizada fora do país, o que pode limitar os benefícios econômicos de longo prazo para o Brasil.
Brasil em busca de equilíbrio na geopolítica dos minerais
A decisão de priorizar o comprador americano para a produção da Serra Verde pode estreitar o espaço para a política de equidistância defendida pelo governo brasileiro. A escolha de onde o valor agregado será gerado passa a ser influenciada por acordos internacionais, distanciando a tomada de decisão estratégica de Brasília.
A notícia sobre o investimento americano ocorre em paralelo a outros desenvolvimentos na relação Brasil-China. A China e a Índia, por exemplo, concordaram em buscar soluções para disputas de fronteira, demonstrando um movimento de estabilização em outras regiões de tensão geopolítica. O Exército chinês também abriu um canal para denúncias de irregularidades em compras militares, indicando esforços internos de controle e transparência.
Desafios e oportunidades na cadeia de suprimentos de terras raras
O caso da mina Serra Verde ilustra a complexidade da inserção do Brasil na cadeia global de suprimentos de minerais críticos. Embora o país possua vastas reservas, a falta de infraestrutura e tecnologia para o processamento final limita sua capacidade de capturar o valor máximo da exploração desses recursos.
A iniciativa americana de investir na produção brasileira de terras raras é um passo importante, mas é fundamental que o Brasil invista em desenvolvimento tecnológico e capacitação para processar esses minerais internamente. Somente assim o país poderá se consolidar como um protagonista na economia verde e digital, garantindo soberania e maior retorno econômico sobre seus recursos naturais.





