Filme ‘Dark Horse’ sobre Jair Bolsonaro: O que se sabe sobre a cinebiografia controversa e seu financiamento
A produção cinematográfica “Dark Horse”, que promete contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem gerado intensos debates, especialmente após revelações sobre seu financiamento. O filme, que conta com o ator Jim Caviezel no papel principal e é baseado em uma história escrita por Mario Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, está sob os holofotes após questionamentos sobre repasses de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, para a produção.
A polêmica ganhou força com a divulgação de conversas que indicariam a solicitação de recursos por parte de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e senador, ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pelo site Intercept Brasil, Vorcaro teria efetuado pagamentos que somariam R$ 61 milhões para o financiamento do longa, entre fevereiro e maio de 2025. Flávio Bolsonaro, em entrevista à TV Globo, defendeu o patrocínio como uma “relação privada”, afirmando que todo o dinheiro foi destinado exclusivamente à produção do filme.
A trama de “Dark Horse” e seu elenco também têm sido temas de discussão. O filme aborda a ascensão de Bolsonaro ao poder e um plano de assassinato, sendo descrito como um thriller político. O debate público e as investigações em andamento adicionam camadas de complexidade à produção, cujos detalhes continuam a ser desvendados.
Elenco e Direção de ‘Dark Horse’
O papel de Jair Bolsonaro na cinebiografia “Dark Horse” é interpretado por Jim Caviezel, conhecido por seu trabalho em “A Paixão de Cristo” e, mais recentemente, em filmes com temática conservadora como “Som da Liberdade”. A direção e o roteiro ficam a cargo de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano com experiência em filmes para TV e cinema. Ele assina o roteiro com Mark Nowrasteh, a partir de um argumento de Mario Frias, ex-secretário de Cultura durante o governo Bolsonaro. O elenco ainda conta com nomes como Esai Morales, Lynn Collins e Camille Guaty, que interpretará Michelle Bolsonaro.
A Trama do Filme e a Visão do Diretor
De acordo com a sinopse oficial divulgada pelo site Deadline, “Dark Horse” é “inspirado por eventos reais” e acompanha a trajetória de Jair Bolsonaro, desde sua ascensão como capitão do exército até se tornar um líder populista em um Brasil polarizado. A narrativa inclui um “plano mortal de assassinato”, transformando a luta contra um sistema corrupto em uma “batalha por sobrevivência, verdade e a alma de uma nação”. O diretor Cyrus Nowrasteh afirmou ao Deadline que o filme foi concebido não como uma biografia, mas como um “thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque”, com relevância não apenas no Brasil, mas globalmente.
Financiamento e Investigação: O Papel de Daniel Vorcaro
O envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento de “Dark Horse” é um dos pontos centrais da polêmica. As negociações teriam ocorrido com a intermediação de Flávio Bolsonaro, que teria pressionado pelos pagamentos. O empresário, dono do Banco Master e atualmente preso sob acusação de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras, teria repassado cerca de R$ 61 milhões para a produção. Karina Ferreira da Gama, produtora do longa, declarou à Globonews que o orçamento já realizado do filme gira em torno de US$ 13 milhões, valor que representa mais de 90% da verba total.
Processo na Ancine e Investigação da Polícia Federal
Em paralelo às investigações sobre o financiamento, a Polícia Federal solicitou à Agência Nacional do Cinema (Ancine) informações sobre um processo administrativo aberto contra a produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”. A Ancine apura uma denúncia de gravação de obra audiovisual estrangeira em território brasileiro sem a devida comunicação prévia, o que pode resultar em multas para a produtora. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito para apurar os repasses de Daniel Vorcaro, buscando confirmar se os recursos foram de fato destinados à produção do filme e se parte deles teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.





