Nubank Arte Lab em São Paulo: Um Mergulho no Universo de Tarsila do Amaral
O primeiro andar do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, transformou-se em um vibrante polo cultural com a inauguração do Nubank Arte Lab. Este novo espaço expositivo, com 2700 m², abriu suas portas em 15 de agosto, prometendo ser um ponto de encontro para arte e gastronomia com o Nuv Gastro Bar. O projeto arquitetônico é assinado pelo renomado escritório Jacobsen Arquitetura.
Para marcar a estreia deste complexo, a exposição “O Brasil de Tarsila” convida o público a uma imersão profunda na obra da artista modernista. Com mais de 70 obras apresentadas em formatos interativos e digitais, a mostra é uma realização da Tarsila do Amaral S.A. em parceria com a agência LIVEIDEA. A curadoria é de Juliana Miraldi e Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila.
A exposição, que fica em cartaz até 31 de outubro com expectativa de prorrogação, ocupa três das cinco salas modulares do Arte Lab. Ao longo de 14 ambientes interativos, a trajetória e as icônicas pinturas de Tarsila do Amaral ganham vida, misturando biografia e arte de maneira singular. Conforme informações divulgadas, a mostra segue para o Rio de Janeiro após sua temporada paulistana.
Galeria de Introdução e a Magia dos Espelhos
As primeiras salas da exposição funcionam como galerias introdutórias, apresentando réplicas das obras emolduradas e oferecendo cenários instagramáveis para fotos. Textos informativos detalham a rica história de Tarsila do Amaral, fornecendo o contexto essencial para a experiência imersiva que se desenrola a seguir. Essa introdução é crucial para compreender a evolução artística e pessoal da pintora.
O primeiro grande impacto sensorial ocorre na sala de espelhos. Um painel de LED de 84 m² reflete as obras da fase Pau Brasil (1924-1928), como “Religião Brasileira” e “Manacá”. As imagens se multiplicam ao infinito, criando combinações inéditas e permitindo que cada visitante descubra novas perspectivas das pinturas a cada ângulo, em uma experiência visual deslumbrante.
Floresta Tarsiliana e o Encanto da Antropofagia
A imersão continua na “Floresta Tarsiliana”, um ambiente que mescla elementos da fase Antropofágica (1928-1930). As árvores de “Floresta” se unem à vegetação de “Cartão-Postal” e “Idílio”, criando um ecossistema visualmente rico. Sons da natureza, como o coaxar de sapos e o canto de aves tropicais, somados ao aroma de jasmim liberado por borrifadores, transportam o público para dentro da obra.
Para completar a experiência lúdica, uma piscina de bolinhas verdes convida adultos e crianças a mergulharem em um momento de pura diversão. A interação com a obra de Tarsila se torna palpável, conectando diferentes gerações através da arte e do brincar. A presença massiva de crianças na exposição evidencia o apelo universal do trabalho da artista.
Viagens, Animações e a Realidade Operária
Um vagão de trem cenográfico simula as viagens que marcaram a vida de Tarsila do Amaral. Cada janela exibe um destino, como Minas Gerais, Paris e a União Soviética, acompanhado por narrações e artefatos que contam sobre suas experiências. Essa seção destaca a influência das viagens na produção artística da modernista.
Em seguida, projetores exibem animações com as figuras icônicas de Tarsila, como “O Sapo”, “A Cuca” e o emblemático “Abaporu”. As personagens saltam por paisagens tropicais e florestas, interagindo em sequências dinâmicas que dão vida ao imaginário da artista. A animação convida a uma reflexão sobre os elementos que compõem a identidade visual de Tarsila.
A exposição também aborda a fase Social de Tarsila, com a sala dedicada à obra “Operários” (1933). Em contraste com as cores vibrantes de outras fases, tons cinzentos retratam a realidade popular brasileira após seu retorno da União Soviética. Uma manivela permite que os trabalhadores surjam em uma tela curva, e uma máquina fotográfica antiga insere a imagem do visitante digitalmente na obra, como mais um operário.
Interatividade e o Legado de Tarsila
Um corredor com a figura de “Composição (Figura Só)” (1930) e ventos simulados leva ao salão principal com o “Abaporu” (1928). Este é um espaço para fotos e admiração do ícone do modernismo brasileiro. A grandiosidade da obra convida à contemplação e à interação, com muitos visitantes aproveitando para registrar o momento.
A tranquilidade retorna com a projeção de “A Lua” (1928) em um ambiente que remete a pedras, ideal para apreciar o astro projetado na parede. Em seguida, um espaço que lembra um playground, com quebra-cabeças gigantes, escorregador e gangorra, garante a diversão, especialmente para as crianças, que adoram o ambiente interativo e lúdico.
A obra “A Terra” (1943) domina o espaço seguinte, com ventiladores que criam ventos fortes para uma imersão completa. Este ambiente propicia um momento de relaxamento e conexão com a natureza representada na tela. O final da exposição é marcado por um salão que mescla todas as fases de Tarsila em uma animação projetada nas paredes, culminando com “A Fazenda com Sete Porquinhos” e “O Sol Poente”, fechando o passeio de forma memorável.
Serviço
Onde: Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2.073, 1º andar, Consolação, São Paulo.
Quando: Em cartaz até 31 de outubro. Aberto de quarta a segunda, das 10h às 22h.
Quanto: Ingressos a partir de R$ 47,50 pela plataforma Fever.




