Colonos Israelenses Atacam Casa na Cisjordânia, Gerando Reação de Netanyahu
Colonos israelenses voltaram a atacar uma casa perto da vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (29). O incidente ocorre em um cenário de crescentes tensões na região, sob ocupação israelense desde 1967.
Loui Ridi, um palestino-americano que reside próximo ao local, relatou à agência Reuters que invasões de colonos a imóveis na área são quase diárias. Na véspera, forças israelenses mataram três palestinos em um ataque aéreo, justificado como ação contra um membro do Hamas.
Segundo testemunhas, os colonos cercaram a residência e atiraram pedras, prendendo sete palestinos em seu interior. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, condenou os atos, referindo-se a um incidente em uma vila vizinha, e culpou “um punhado de desordeiros”. Essa foi sua primeira declaração pública sobre os ataques na região, após pressão dos Estados Unidos para que condenasse publicamente a violência contra palestinos.
Aumento da Violência e Pressão Internacional
O governo israelense já havia tentado minimizar a situação, atribuindo a violência a uma “minoria marginal”, mas essa definição é contestada por grupos de direitos humanos. Uma investigação da ONU em junho apontou o envolvimento direto de autoridades israelenses em ataques que resultaram em mortes, ferimentos e deslocamento de palestinos na Cisjordânia.
Saddam Oday, um dos palestinos presos na casa atacada, afirmou que o exército israelense disparou gás lacrimogêneo para dentro do imóvel. Luay Bayruti, o proprietário da casa, disse que militares algemaram, vendaram e agrediram os ocupantes antes de liberá-los. O exército informou ter agido para retirar “desordeiros” e proteger os moradores, mas não explicou o uso de gás lacrimogêneo.
Assentamentos e Conflitos em Territórios Ocupados
Sob pressão americana, o exército havia ordenado a retirada de colonos de um acampamento na semana passada, com a detenção de um israelense. Contudo, os colonos retornaram, demonstrando a persistência do problema. Investidas contra palestinos em áreas rurais, incluindo vandalismo em mesquitas e destruição de plantações de oliveiras, têm aumentado.
Grupos de direitos humanos argumentam que a expansão dos assentamentos israelenses nas proximidades de vilas palestinas, como Qusra, faz parte de um plano para apossar-se de terras palestinas. Atualmente, a Cisjordânia abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses, distribuídos em aproximadamente 146 assentamentos e 390 postos avançados menores, segundo o grupo Peace Now.
Estrutura Administrativa e Status Legal dos Assentamentos
Desde os acordos de Oslo nos anos 1990, a Cisjordânia foi dividida em três zonas. A Zona A é governada pela Autoridade Palestina, mas as forças israelenses realizam operações frequentes sob o pretexto de “contraterrorismo”. As Zonas B e C são controladas militarmente por Israel, sendo a Zona C onde se concentram os assentamentos judaicos.
Os assentamentos israelenses são considerados ilegais pelo direito internacional, pois a Convenção de Genebra proíbe que uma potência ocupante transfira sua própria população para o território ocupado. O acesso a estradas que conectam esses assentamentos é frequentemente restrito a palestinos, que também enfrentam controles militares e outras limitações de movimento na região.





