Seis meses de conflito no Irã: A promessa de Trump se desfaz em um atoleiro sem fim à vista
O presidente Donald Trump, que chegou ao poder prometendo o fim das “guerras eternas”, parece ter criado sua própria versão do conflito no Irã. Seis meses após o início da Operação Fúria Épica, a guerra se transformou em um atoleiro, sem objetivos claros, estratégia definida ou um ponto final à vista, segundo análises.
A imagem de Trump com um porta-aviões e aviões de guerra ao fundo, ostentando “Missão cumprida, 2026”, contrasta com a realidade em campo. A guerra, que deveria ser um ataque-relâmpago de quatro a seis semanas, encontra-se em um purgatório exasperante, longe de uma vitória clara ou de uma paz negociada.
Para o presidente, a situação é delicada: ele reluta em retomar bombardeios em larga escala, mas também não conseguiu mediar um acordo satisfatório. Enquanto isso, o partido republicano já sente os impactos econômicos e nas chances eleitorais, conforme informações divulgadas.
Críticas à estratégia de Trump e o cenário volátil no Irã
Analistas como Richard Haass, que atuou no Departamento de Estado durante a invasão do Iraque, descrevem o conflito como um “fiasco”. “Será muito, muito difícil convencer as pessoas. Não há nada que indique que estamos em uma situação melhor ou que a guerra valeu a pena”, afirmou Haass.
Apesar das críticas, apoiadores da guerra argumentam que Trump conseguiu enfraquecer o Irã com baixas americanas significativamente menores do que nas guerras anteriores. Mark Dubowitz, CEO da Fundação para a Defesa das Democracias, acredita que o presidente está “vencendo o confronto” e que a República Islâmica “nunca esteve tão fraca”.
No entanto, a realidade no estreito de Hormuz, uma passagem volátil, e a continuidade do programa nuclear iraniano, apesar dos danos, pintam um quadro diferente. O regime que estava no poder há seis meses continua comandando o país, e o conflito, longe de uma resolução rápida, testa a resistência de ambos os lados.
A aposta de Trump e o legado na política externa
A guerra no Irã se tornou a maior aposta de Trump na política externa, marcando uma mudança em relação ao seu primeiro mandato. Se antes o foco era o “America First” e uma postura mais voltada para dentro, agora o presidente demonstra maior disposição para exercer poder no exterior e remodelar o mundo.
A “Operação Fúria Épica” é vista por especialistas como “ousada, mas seu arquiteto é, em grande parte, descuidado e despreparado”, conduzindo um conflito “à base do improviso e de muita bravata”, segundo Steven Cook, do Council on Foreign Relations.
Por outro lado, Victor Davis Hanson defende a estratégia de Trump, comparando-a à “estratégia Anaconda da Guerra Civil”, que visa apertar a pressão econômica até que o Irã ceda, evitando um custo humano e financeiro elevado, como nas guerras do Iraque e Afeganistão.
Objetivos não alcançados e a ironia da “Missão Cumprida”
Apesar das declarações de vitória de Trump, a maioria dos objetivos iniciais não foi alcançada. Teerã ainda é capaz de atacar bases americanas e aliados na região, e o povo iraniano não viu a “libertação” prometida. O apoio a grupos terroristas diminuiu, mas não foi eliminado, e o programa nuclear, embora danificado, não foi abandonado.
Paradoxalmente, tanto a guerra no Iraque quanto o conflito atual deixaram o Irã mais forte, segundo Haass, que aponta o país como “o beneficiário estratégico das duas guerras”.
A publicação de Trump com os dizeres “Missão cumprida” remete ao discurso de George W. Bush em 2003, uma declaração que se tornou símbolo de uma vitória anunciada prematuramente. A ironia da comparação, para muitos, é evidente, enquanto Trump insiste em afirmar que “já venceu” a guerra no Irã.





